domingo, 8 de fevereiro de 2009

A Igreja e a Revolução dos Bichos

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Esses rebeldes dizem: “Vamos nos livrar do domínio deles; acabemos com o poder que eles têm sobre nós.” Do seu trono lá no céu o Senhor ri e zomba deles. – Sl 2.3,4
A algum tempo li o livro “A Revolução dos Bichos” de George Orwell. Li por indicação de outro autor que fala muito de submissão às autoridades , e inclusive, escreveu um clássico sobre o assunto. Mas neste outro livro o autor nos incentiva a ler “A Revolução dos Bichos” a fim de não cair numa submissão burra, nem lutarmos contra a tirania da forma errada, e nem se deixar corromper pela liberdade. Leia aqui um resumo do livro. Apesar do livro ter sido escrito como uma sátira à revolução russa, é difícil não fazer alguns paralelos com a história da igreja e suas “revoluções”.
Assim como os animais da fazendo do Sr Jones se rebelaram contra sua tirania liderados por dois porcos, Bola de Neve e Napoleão, durante sua história a igreja viu pessoas com um carisma muito grande levar os demais a uma revolução devido à tirania e aos abusos do clero. Quando isso acontecesse, de um lado fica a liderança fazendo comparações com a rebelião de lúcifer no céu, sermões são pregados com base na rebelião de Datã, Coré e Abirão, Romanos 13 é muito citado. Do outro lado ficam o revolucionários e seus seguidores, falando da saída de Israel do Egito, do vinho novo e dos odres novos, da visão renovada, do retorno às origens puras da igreja.
Daí a pouco uma cisão acontece e um novo trabalho é iniciado. Muita mágoa e rancor é sentido nos sermões em ambos os lados. Muito tempo e energia é gasto falando-se de como era a vida na fazenda do Sr Jones e de como não se deve ser. Um sentimento messiânico surge nos corações dos “bichinhos” que se sentem livres das amarras da babilônia de onde saíram, e se sentem na obrigação de libertarem o maior número possível daqueles que ainda estão na prisão. A principio é tudo alegria e amor. Afinal é como se eles tivessem se convertido novamente, é como se uma venda tivesse sido tirada de seus olhos.
Mas o que a maioria dos bichinhos revolucionários não percebe é quando a nova vida de liberdade, aos poucos vai ficando igual à vida velha. A revolução foi feita na “direção divina” e com propósitos santos. Mas, sutilmente, a direção humana vai tomando o controle, e os propósitos ficando cada vez menos puros.
Eles fizeram uma revolução porque não agüentavam mais a tirania no Sr Jones, mas não percebem que aos poucos Napoleão está ficando cada dia mais parecido com ele. Aos poucos ele está ficando cada vez mais autoritário. Chega até mesmo o dia em que os demais bichinhos ficam sabendo da discórdia que houve entre Napoleão e Bola de Neve. Bola de Neve é expulso da fazenda por não pensar igual a Napoleão. Alguns ficam sabendo que o motivo da discórdia é que Bola de Neve foi alertar Napoleão do desvio da visão inicial e de como a revolução está perdendo seu rumo. Mas logo entra em cena Garganta, o corvo porta voz de Napoleão. Garganta é perspicaz em suas palavras e muito convincente. Ele garante que Bola de Neve foi expulso por falta de idoneidade, por pecados, por ser um agente antirevolucionário. A maioria se convence, mas, alguns que já andavam com a pulga atrás da orelha, começam a se perguntar sobre o futuro do “novo mover”.
Entre os animais está Sansão, um cavalo. Ele trabalha incansavelmente e, por não ter acesso a nada que acontece nos bastidores da nova fazenda, continua acreditando em Napoleão. Ele trabalha sem cessar. Para ele, Napoleão falou, “tá falado”. Até o dia em que, já velho e sem poder mais trabalhar, Sansão, por ordem de Napoleão, é levado por uma carroça onde os outros animais leêm escrito “Matadouro de Cavalos”. Sim, ele estava sendo levado para ser sacrificado. Mas lá vem Garganta com a explicação: “A carroça pertencera, antes, ao carniceiro, depois fora comprado pelo cirurgião veterinário, que ainda não apagara o letreiro”. A maioria dos animais se aliviou mas, alguns...
E assim vai, cada dia a fazenda se tornado nas mãos de Napoleão o que havia sido nas mãos do Sr Jones. Os revolucionários vão assistindo sua revolução dar em nada. Alguns chegam a sentir saudades dos velhos tempos. Assim vai, a revolução se tornando vinho velho em odres velhos. Assim vai, cada dia, cada um percebendo que só trocaram um mal por outro. Até o dia que alguém ali dentro resolve fazer outra revolução. E aí a história começa de novo.
Será que não existe outro caminho? Será que Deus não pode endireitar o que está torcido? Será que não dá para se perguntar antes de se fazer uma revolução para fora, se não é possível se fazer uma revolução para dentro? Uma revolução que começa dentro de mim. Uma revolução que começa por eu expulsar de dentro de mim o Sr Jones que carrego. Uma revolução que cura. Uma revolução que contagia a consciência das pessoas com o despertar para mudar a si mesmo antes de querer mudar o mundo. Uma revolução do “examine-se o homem a si mesmo”. Uma revolução que traz vida e não morte. Uma revolução quase que subliminar. Uma revolução sem as lanças da língua difamadora. Uma revolução que me faz perguntar o que de melhor eu posso fazer para sarar as feridas do corpo. Uma revolução que me leva a buscar meu lugar no corpo. Uma revolução na qual cada um acredita que Deus pode fazer o vale de ossos secos se levantar e se tornar um exército poderoso.
Deus nos ajude.

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