quinta-feira, 2 de abril de 2009

O “novo Jesus”

Jesus foi para a região que fica perto da cidade de Cesaréia de Filipe. Ali perguntou aos discípulos:

—Quem o povo diz que o Filho do Homem é?

Eles responderam:

—Alguns dizem que o senhor é João Batista; outros, que é Elias; e outros, que é Jeremias ou algum outro profeta.

—E vocês? Quem vocês dizem que eu sou? —perguntou Jesus.

Simão Pedro respondeu:

—O senhor é o Messias, o Filho do Deus vivo – Mt 16.13-16

Já faz algum tempo que o que se tenta é criar-se uma imagem de um Jesus diferente do Jesus da Bíblia. Falo da tentativa de se humanizar demais ao Senhor. Falo humanizar “demais” porque não temos dúvidas de que o Senhor Jesus, sem dúvidas, foi humano. Mas, o que se tenta fazer é distanciar as pessoas da verdade de que o Jesus humano, também era (e é) divino. Jesus deixou a destra do Pai para vir aqui a esta terra cumprir o plano de redenção da humanidade. Diz a Bíblia que Ele se despojou da sua glória (Fp 2.6-8). Foi da Sua glória que Jesus se despojou, e não da sua divindade. O Jesus homem, era (e é) o Jesus “Deus Conosco”. Ele abriu mão de alguns atributos para estar entre os homens. Por exemplo, Ele não poderia estar em Cafarnaum e em Nazaré ao mesmo tempo. Ele abriu mão de alguns conhecimentos durante seu ministério terreno (Mt 24.36 ). Trata-se na verdadeira Kenosis. Kenosis quer dizer “esvaziamento” e trata-se do ensino bíblico acerca das coisas de que Jesus se esvaziou para andar entre os homens. Existe a falsa Kenosis que é aquela que ensina que Jesus deixou de ser Deus para se tornar homem. A verdadeira Kenosis significa que Jesus era 100% Deus e 100% homem mesmo abrindo mão de alguns atributos.

Hoje há um renascimento desta falsa Kenosis. Me refiro às sucessivas investidas por parte de escritores e da mídia para mostrar um Jesus cada vez mais humano e menos divino. A mais de vinte anos atras eu já ouvia falar do livro de Hugh Scofield chamado “Passover Plot”, A Trama da Páscoa. Nele o autor mostra Jesus como um judeu com mania de messias que tentava cumprir as profecias messiânicas nele. O autor fala de um ardil confabulado entre Jesus e Judas para que o Mestre fosse entregue às autoridades e crucificado. Para simular uma ressurreição, um guardas da cruz, que também estava envolvido na trama, deveria embeber a esponja num entorpecente para que Jesus desmaiasse e os demais achassem que ele estava morto, para depois simular a ressurreição. O plano falha por causa de um impulsivo guarda que traspassa o corpo de Jesus com uma lança. José de Arimatéia, também envolvido, quando vê o plano fracassar sepulta o corpo de Jesus num túmulo secreto. E por ai vai essa presepada.

Um pouco mais adiante surge “A Última tentação de Cristo”, do escritor grego Nikkos Kazantzaks. Martim Scorces foi quem arriscou fazer o filme baseado no livro. A história fala de um Jesus inseguro que deixa sua vida de carpinteiro, onde ele confeccionava cruzes para os romanos a fim de crucificar outros (!!!), e vai viver com os essênios num mosteiro. De lá, ele sai e começa sua carreira de pregador. Vai formando seu círculo de discípulos até que resolve ir a Jerusalém. Lá ele ordena que Judas o entregue às autoridades para cumprir as profecias. Relutante, Judas obedece às ordens e entrega Jesus. Na cruz Jesus tem uma alucinação que dura a maior parte da história. Um show de blasfêmias se desenrola a partir daí.

Eu acho que foi na década de 90 que surgiu “Operação Cavalo de Troia”, do jornalista e escritor espanhol J.J. Benitez. Benitez fala de uma viagem de dois astronautas da USAF numa nave, chama de “berço”, até os tempos de Jesus. O personagem Jasão fica dez dias nos tempos de Cristo e na companhia dEle e dos discípulos até o momento da ressurreição. Historinha legal se não fosse por duas coisas. Primeiro, o absurdo do autor declarar que se trata de uma história verdadeira. Segundo, o autor insinua o tempo todo que Jesus na verdade era um ET.

As últimas, vieram no começo do século. Primeiro veio Dan Brown com “O Código Da Vinci”. Neste livro que virou filme, Dan Brown mostra um Jesus que se casou com Maria Madalena com quem teve uma filha chamada Sara. Maria Madalena teria saído da Judéia após a morte de Jesus e se estabelecido na França onde deu à luz a filha de Jesus. Segundo o autor, através desta filha, a linhagem de Jesus estaria viva até hoje e seria o segredo que a igreja católica guarda com unhas e dentes. Ainda segundo ele, este segredo seria conhecido por mestres da arte e da ciência tais como Leonardo Da Vinci e Sir Isaac Newton. Da Vinci teria falado sobre isso em seus quadros de uma forma subliminar. Dan Brown escreveu seu livro na forma de romance, mas se inspirou num outro livro chamado “O Santo Graal e a Linhagem Sagrada” dos autores Michael Baigent, Richard Leigh e Henry Lincoln. Ele mistura verdades com mentiras e confunde a mente de muitos. Não há qualquer segredo guardado sobre um suposto casamento de Jesus com Maria Madalena. A igreja acredita que Jesus era solteiro simplesmente pelo fato de que, se Ele fosse casado, os evangelhos o diriam. Mas nada se fala de algo tão importante como um casamento, simplesmente pelo fato de que não existiu casamento nenhum.

Depois de Brown veio a descoberta do “Evangelho de Judas”. Trata-se de um evangelho apócrifo descoberto em 1970, no Egito, e publicado em Abril de 2006 pela revista National Geographic. Neste evangelho gnóstico, Judas é mostrado como o mais fiel dos discípulos e que atendeu ao pedido de Jesus para entregá-lo aos romanos (de novo).

A mais recente, foi a descoberta do “túmulo perdido de Jesus” no subúrbio de Talpiot em Jerusalém. Num documentário produzido pelo diretor de “Titanic”, James Cameron, são apresentadas as escavações arqueológicas neste túmulo onde foram encontrados dez caixões e três crânios. Seis destes caixões portavam nomes que seriam: Jesus, filho de José; Juda, filho de Jesus; Mariamne; Maria; José e Mateus. Mesmo sabendo que os nomes eram comuns na época de Jesus, e que a família de Jesus não era de Jerusalém e sim de Belém, o documentário viajou, viajou na maionese. Para os produtores do documentário, Mariamne, seria o verdadeiro nome de Maria Madalena, e ai, a história de Jesus e Maria Madalena começa de novo. O próprio Amos Kloner, cientista que supervisionou as escavações em 1980, disse que os nomes eram coincidência e qualificou o documentário de “bobagem”.

Mas, o que isso tudo significa? Só vejo nisso uma tentativa de criar um outro Jesus. Isso tudo parece um trabalho bem elaborado do príncipe das trevas para que as pessoas vejam em Jesus um homem comum, um grande mestre, um rabino extraordinário, mas não o Salvador, não o verbo que se fez carne e habitou entre os homens.

Se quisermos conhecer quem é Jesus, é na Bíblia que vamos encontrá-lo, e em nossos corações, quando o invocarmos. O Jesus que a Bíblia nos apresenta é o verdadeiro Jesus. É o Jesus que nasceu de uma virgem, viveu irrepreensivelmente como homem, operou milagres, revelou o Pai em suas palavras e atos, foi traído por um de seus discípulos e foi entregue para ser morto numa cruz. O Jesus verdadeiro não deixou restos mortais em um túmulo que pode ser encontrado por arqueólogos, pois ele ressuscitou três dias após sua morte. Restos mortais se acha de Maomé, de Buda e de outras celebridades da história, mas, de Jesus não. Sabemos disso não somente porque está escrito na Bíblia, mas também, pelo que experimentamos em nossas vidas. O “novo Jesus” não pode fazer nada por estar morto. O Jesus verdadeiro está vivo e muito atuante na vida dos que acreditam nEle.

Cabe a nós escolhermos em qual Jesus vamos acreditar. Nossa decisão se refletirá na eternidade.

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