sábado, 12 de setembro de 2009

Símplices como as pombas

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Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e símplices como as pombas – Mateus 10.16

David Wilkerson conta em seu livro “A cruz e o punhal”, como Deus lhe tirou de uma pequena cidade e o enviou a Nova York a fim de pregar o evangelho inicialmente a um grupo de jovens que haviam sido presos por assassinato e depois a chefes de Ganges e a viciados em drogas. Obedecendo a Deus, ele entrou em lugares perigosos e teve contato com pessoas que se encontravam na criminalidade e no vício. Para dar apoio aos que abandonavam a vida do crime e das drogas, o pastor David fundou o centro Desafio Jovem. O trabalho desde então foi um sucesso trazendo várias vidas das trevas para a luz. A história do surgimento da casa de recuperação é contada lindamente no livro e virou até filme.

Mas, depois que o livro se tornou um Best-seller, e a história do pastor se tornou conhecida, ele passou a viver um corre-corre intenso. Ele saía de um programa de entrevistas e ia para outro, viajava de um lugar a outro falando do trabalho de recuperação e levantando fundos para mantê-lo, sua agenda ficou lotada rapidamente. Um dia, quando caminhava apressado pela rua para atender a mais compromissos, ele foi barrado por um chinês. O homem ficou em seu caminho impedindo sua passagem. O pastor começou a ficar aborrecido com a insolência do chinês. O homem olhou para o pastor e lhe disse: “Você é David Wilkerson”. Era uma afirmação. “Deus me mandou sair de Hong Kong e vir até aqui, para lhe trazer uma mensagem”, continuou o homem, “E a mensagem é esta: você perdeu a sua simplicidade”. Depois disso o homem foi embora e o pastor nunca nem sequer soube seu nome. No momento, David ficou irritado com o homem, mas não deu importância, pois nunca faltaram pessoas que andam por ai dando “palavras de Deus” a torto e a direito. Porém, mais tarde, ao conversar com a esposa ela lhe aconselhou a meditar naquelas palavras e a levá-las diante de Deus.

Seguindo o conselho da esposa, o pastor começou a examinar a si mesmo. Fez uma viagem à pequena igreja de onde ele havia saído para ir à Nova York atender ao chamado de Deus. Lembrou-se para que Deus o havia chamado e percebeu o quanto havia se desviado do foco ao se tornar uma celebridade. Aquele foi um dia de retorno para o pastor. Ele cancelou muitos compromissos para se dedicar àquilo para o que Deus o havia chamado. Graças a Deus, o pastor acordou.

Infelizmente muitos são os que não conseguem acordar. Muitos dos que hoje causam mais males do que bem ao corpo de Cristo, já foram homens consagrados e cheios de temor de Deus. O problema começou quando eles se depararam com a fama e se tornaram astros. Existem homens que já foram fontes de inspiração para mim e que já me fizeram deixar tudo para ouvi-los pregar, mas que hoje parece que se encontram vazios. Desconfio que a tietagem tem muito a ver com isso. Desconfio que a perda de foco também tem muito a ver com isso. Há homens que complicaram a simplicidade de seu chamado e meteram os pés pelas mãos. Falo isso com todo o temor de Deus sabendo que todos estão sujeitos a irem pelo mesmo caminho.

Hoje, caminhando pela famosa feira de produtos cristãos em São Paulo, entre celebridades, eu conversava com um amigo pastor e lhe falava sobre a última carta que Paulo escreveu. Nela, Paulo conta que estava preso, a maior parte de seus amigos o haviam abandonado e, em pouco tempo, ele sabia que iria ser morto. Como pode um homem que fez tanto pela causa de Cristo terminar seus dias assim? Pessoas que não fizeram um por cento do que Paulo fez, reivindicariam um final mais glamoroso. Mas, Paulo estava feliz. “Combati o bom combate, acabei a carreira e guardei a fé” (2 Tm 4.7), disse ele. Um dos motivos desta felicidade era saber que nunca havia saído fora do desejo de Deus para sua vida (At 26.19). Seu combate foi bom por se tratar do combate que Deus lhe colocou. Há muitos combates por ai que não são nada bons por se tratarem de combates que visam mais a popularidade do que a glória de Deus.

Que Deus nos ajude a manter nossa simplicidade e nunca cedermos ás propostas daquele que nos promete dar os reinos deste mundo e sua glória (Mt 4.8,9).

Nós fomos enviados como ovelhas ao meio de lobos, portanto, sejamos símplices como as pombas a fim de que nosso coração seja guardado das armadilhas dos holofotes humanos.

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