quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Amargurada




Não me chamem de Noemi, a Feliz. Chamem de Mara, a Amargurada, porque o Deus Todo Poderoso me deu muita amargura. Quando saí daqui, eu tinha tudo, mas o SENHOR me fez voltar sem nada. Então, por que me chamar de Feliz, se o Deus Todo-Poderoso me fez sofrer e me deu tanta aflição? – Rute 1.20,21



Seu nome era Noemi e significa “feliz”. Belo nome! Mas, quando retornou à Belém, sua terra, ela se recusou a ser chamada por este nome. Agora queria ser chamada de Mara. Este nome significa “amargurada”. Ela queria ser chamada assim porque era assim que se encontravam sua alma. Ela não estava amargurada com as pessoas nem com a vida. Estava amargurada... com Deus.

Houve uma época em que ela aceitava ser chamada de feliz e era quando morava em sua pequena cidade com Elimeleque, seu marido, e com Malon e Quiliom, seus filhos. Mas, um dia seu marido cismou de se mudar por achar que em Moabe as condições de vida seriam melhores. Não sei se Noemi gostou da ideia. Eu acho que não. Geralmente é mais difícil para as mulheres deixarem para trás sua casa, seus parentes, seus vizinhos, sua rotina. Mas ela acompanhou o marido. O que mais poderia ela fazer?

Em Moabe, seus filhos conheceram duas belas moças, Orfa e Rute, e se casaram. Devagar Noemi ia se ajustando à sua nova vida. Mas, o inesperado aconteceu: sabe-se lá sob que circunstâncias, seu marido morreu. Agora só lhe restava seus queridos filhos para diminuir aquela dor. Mas, o inesperado aconteceu: sabe-se lá sob que circunstâncias, um de seus filhos morreu. A dor da viuvez se juntou a indescritível dor da perda de um filho. E para piorar a coisa o inesperado aconteceu: sabe-se lá sob que circunstâncias, o outro filho também morreu. Diante de uma onda após outra de sofrimentos não há coração que aguente. Cada um reage de um jeito.

Foi em meio a tanta dor que Noemi decidiu voltar para sua terra. Já não era mais a mesma pessoa. Os traços do sofrimento estavam em seu rosto. Sua história comoveu a pequena Belém. Em seu regresso, o peso maior não eram as bagagens com os bens que havia adquirido em Moabe. O que pesava mais era a amargura em seu coração. Ela não havia deixado de acreditar na existência de Deus como alguns fazem diante das tragédias. Ela estava zangada com Ele. Ela questionava Deus. Por que afinal Ele havia permitido que tudo aquilo acontecesse? O que ela havia feito para que Ele a tratasse daquele jeito? Nada fazia sentido. Ela estava amargurada com Deus.

Todos nós estamos sujeitos a ficarmos amargurados também se não compreendermos que há certas coisas que são somente consequências de nossas escolhas. Outras são consequências das escolhas das pessoas próximas a nós. Algumas coisas vêm para o nosso amadurecimento e crescimento. Há outras que não compreendemos agora, mas, se tudo der certo, um dia compreenderemos. O que não podemos é duvidar do amor, da sabedoria e da soberania de Deus.

Há outro princípio que não podemos perder de vista: a tristeza pode durar uma noite, mas a alegria vem no amanhecer. Por mais que pareça que não, as marés ruins cessarão e voltaremos a sorrir. Não é por acaso que está escrito que quando Noemi regressou era época da colheita em Belém, era tempo de festa. A sorte de Noemi estava mudando.

Ela havia perdido pessoas preciosas, mas regressou de Moabe com uma nora, Rute, que lhe tinha um amor e um cuidado tão grande que dificilmente ela acharia até mesmo em um filho. Em Belém, Boaz, um rico dono de terras e piedoso servo de Deus, casou-se com Rute e amparou Noemi. Quão feliz ela ficou ao segurar nos braços o filho de Rute, que ficou conhecido como filho de Noemi. Deus não desampara ninguém. A viúva solitária e amargurada voltava a ser uma pessoa feliz. Mal sabia ela que Obede, o filho de Rute que ela cuidava como seu, viria a ser o avô do grande rei Davi. Mal sabia ela que sua história estaria sendo contada para consolo de tantos corações amargurados.

Se hoje caminhamos pelo vale árido mantenhamos a esperança de que a colheita da alegria está logo à frente.

Pr Edmilson

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