domingo, 1 de fevereiro de 2009

Quando o arbusto se torna árvore

 

tronco

Estou assistindo a televisão e vejo um homem pregando diante de uma multidão. É um homem rústico no falar. Sua palavra é simples, mas ungida. As pessoas parecem nem respirar escutando as palavras do pregador. É preciso ouvi-lo, pois o poder de Deus está sobre ele. Eles viram isso através dos milagres que presenciaram naquele dia. Num determinado momento ele tira a gravata e joga no meio do povo. Começa um verdadeiro empurra-empurra para pegar a gravata do ungido do Senhor. Por fim, a mulher que foi mais esperta ficou com o prêmio e se emociona com isso. Diante do olhar invejoso das que não conseguiram pegar a gravata, ela passa-a no rosto e enxuga as lagrimas de emoção. Em seu coração, ela tem certeza que será curada, pois se Deus usou os lenços e aventais de Paulo para curar, com certeza usará a gravata deste homem sincero e cheio do Espírito Santo. Algumas considerações me vêm à mente...

“Outra parábola lhes propôs, dizendo: O Reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda que um homem, pegando dele, semeou no seu campo; o qual é realmente a menor de todas as sementes; mas, crescendo, é a maior das plantas e faz-se uma árvore, de sorte que vêm as aves do céu e se aninham nos seus ramos” – Mt 13.31,32

A mostarda é uma das menores sementes e quando é plantada se torna um arbusto. Mas a mostarda da parábola se torna uma grande árvore e quando se torna uma grande árvore começa a abrigar as aves do céu. Neste mesmo capítulo, as aves representam o maligno que na outra parábola vieram roubar a semente que caiu na beira do caminho (13.4,19). Aqui as aves não vêm roubar, mas sim se abrigar nesta árvore que deveria ser um arbusto.

Deus nos chama a crescer e avançar. Mas nosso crescimento deve ser na graça e no conhecimento de Jesus Cristo. Nosso crescimento deve ser no amor. Devemos amadurecer a cada dia. Devemos crescer na comunhão com Deus. Mas, existe um crescimento que é uma imitação do crescimento verdadeiro.

Existe o crescer aos olhos das pessoas e achar isso suficiente. Existe o crescer no “ibope” e se deixar levar por isso. Existe o crescer na carreira ministerial sem contudo estar no bom combate e nem na carreira que Deus lhe propôs deixando de olhar para o autor e consumador da fé (Hb 12.1,2).

Quando se entra neste tipo de crescimento anormal, o homem é aclamado pelas pessoas, mas não percebe que está se distanciando do alvo que o levará para o prêmio da soberana vocação (Fp 3.14). Neste caminho, o homem perde a simplicidade e dá lugar à soberba, que vem disfarçada de autoridade. Neste caminho o homem perde o amor à verdade e passa a ser um amante da superficialidade e das aparências. Deus envia situações para corrigir este homem, mas ele não enxerga isso. Para ele tudo que se opõe a ele só pode ser o diabo.

Neste caminho o homem deixa de ser um servo e passa a ser senhor. Ele acha que manda até em Deus. Neste caminho, o homem não tem mais amigos, ele tem fãs. E como ele ama a tietagem! Ele não percebe as aves se abrigando nele. Ele não percebe a ave do orgulho, da vaidade e da arrogância se abrigando nele.

Seu trabalho, que antes poderia ser chamado de obra de Deus, agora é uma empresa e ele é um empresário de Deus. Antes ele era guiado por Deus em suas decisões e no trato com as pessoas. Agora ele é guiado por normas, na melhor das hipóteses, ou por “puxa-sacos” na pior. Este homem não aprecia mais os amigos que lhe falem a verdade em amor; ele gosta mais de se cercar de pessoas que inflem o seu ego.

Este homem nem percebe que, por abrigar as aves malignas em seu coração, pouco a pouco, o poder espiritual vai desaparecendo e dando lugar a um poder psíquico. Antes ele era usado por Deus para influenciar as pessoas, agora ele usa um poder psíquico para manipular as pessoas. O que havia antes era manifestação do poder de Deus através dele, agora existe um show pirotécnico.

Sem perceber, o pequeno arbusto se tornou uma grande árvore. Ele saiu de seu propósito inicial e virou uma anomalia.

Quando se entra por este caminho, mais sedo ou mais tarde o homem ouve a voz do vigilante lhe dizendo: “Seu tronco será cortado. Seu coração será trocado pelo coração de um animal e seu lugar será entre as ervas do campo. Você vai comer capim como os bois. E vai ficar assim até que entenda que o Altíssimo reina” (Dn 4). É isso ai. Os que trilham este caminho acabam caindo e comendo capim. Por ter o coração duro, este homem entende que este cortar o tronco é mais uma investida do diabo contra ele e luta contra isso. Nessa hora o homem esperneia, se justifica, maquia as situações, tenta pôr a árvore de pé novamente com sua própria força. Mas, quando Deus passa a serra, ele coloca cadeias de bronze neste tronco cortado. Ele ficará ali mesmo por sete tempos, pois foi Deus quem determinou assim.

Quando o homem se cansa de espernear, seu juízo começa a voltar e ele enxerga o quanto se distanciou do plano de Deus para sua vida. Quando o juízo começa a voltar, o homem enxerga o quanto aquele estado que ele achava ser o pináculo da vida, nada mais era do que um abismo que o estava sugando. Ele percebe o quanto se afastou da simplicidade dAquele que disse: “aprendei de mim” (Mt 11.29).

Nesta hora ele aprende que Deus o plantou para ser um arbusto, um pequeno arbusto. Mas um arbusto cheio de Deus, um arbusto feliz. Ai sim o homem começa a crescer plantado firme no solo da humildade e da graça de Deus.

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