segunda-feira, 16 de março de 2009

Eu o perdoei

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Dentro do escritório pastoral, o clima estava tenso. O pastor olhava para o obreiro com perplexidade e, o pior, com raiva. Ali estava uma pessoa em quem o pastor havia confiado. Ele era responsável por algumas tarefas na igreja. Mas ele havia traído a confiança do pastor, ou melhor, de Deus. Ele havia caído num pecado de ordem moral muito grave.

- Como você pôde fazer uma coisa dessas - as palavras eram cuspidas pelo pastor.

O moço ouvia as palavras de cabeça baixa e soluçando. Não havia como negar, pois ele foi pego no próprio ato.

- Você é um cafajeste - continuou despejando o pastor, gritando.

Soluços mais autos.

- Eu, sinceramente nem creio em perdão para você.

O moço foi ficando branco e já não podia se dizer que ele estava chorando. Ele estava tendo verdadeiras convulsões.

Mas o pastor não havia acabado. Mais palavras pesadas continuaram caindo sobre a cabeça do moço. É claro que ele não iria deixar as coisas assim. Esse sem vergonha tinha que escutar. Foi quando...

- Já chega!!!

As palavras vieram numa clareza e numa força tão grande que não havia como se enganar. Deus estava falando com o pastor.

-Já chega!!! Eu o perdoei.

O pastor calou-se na hora. O único som que se ouvia era o do choro do obreiro pecador.

- Eu o perdoei!

As palavras eram claras e o pastor não era nenhum fanático que diz ouvir Deus falando a toda hora. O pastor era um homem de discernimento e conhecia muito bem aquela voz.

Deus estava falando com ele.

- Mas, como assim - pensava o pastor - Não é possível. Tão fácil assim. Ele não vai pagar nenhum preço?

A cena de Jesus vertendo seu sangue na cruz lhe veio à mente.

O pastor ficou em silêncio por mais um longo tempo. Ele não sabia o que fazer.

Mais choro, mais soluços.

Finalmente, o pastor se levantou e disse ao moço:

-Venha comigo.

O pastor o levou a uma sala vazia que era usada para oração.

- Você vai ficar aí, orando e jejuando até que eu venha falar com você novamente. Isso pode durar algumas horas ou alguns dias. Mas fique ai falando com Deus.

Quando ele falou isso, o moço parou de chorar. A cor voltou ao seu rosto. Um brilho de esperança apareceu em seus olhos. Ele entrou caminhando devagar e dobrou seus joelhos, pondo a cara no chão.

O pastor saiu dali desnorteado. Juntou-se à tristeza da queda do rapaz a raiva e agora perplexidade. Já havia lidado com casos como aquele antes e já sabia do procedimento. Bastava seguir o manual e pronto. Mas, essa o pegou de surpresa.

Horas se passaram e a porta da sala de oração continuava fechada. E o pastor continuava sem saber o que fazer. Ele não abriu aquela porta naquele dia. O rapaz que ficasse ali. Ele não abriu a porta no dia seguinte, nem no outro e nem no outro. Sete dias se passaram até que o pastor sentiu que deveria abrir a porta. Foram sete dias em que o rapaz não saiu dali para nada. O que será que o pastor iria encontrar lá dentro. Será que o rapaz não teria morrido?

O pastor abriu a porta bem devagar. O rapaz estava num canto, sentado no chão lendo sua Bíblia. Quando a porta se abriu o moço olhou para o pastor. O pastor se assustou. O rosto do rapaz tinha um brilho que não era deste mundo. O rosto do rapaz parecia o rosto de um anjo.

- Venha comigo – disse o pastor quando conseguiu falar.

Ordenou que o moço fosse tomar banho e comer alguma coisa e depois se apresentasse no escritório novamente.

Após alguns minutos o rapaz entrava no escritório onde o pastor o aguardava.

- Lembra-se da cidade tal, no bairro tal? – o moço fez que sim coma cabeça. Era o lugar onde nenhuma igreja havia conseguido crescer. Várias tentativas foram feitas para se ter um trabalho ali, mas foram infrutíferas.

- Você vai para lá, dirigir um trabalho.

- Sim senhor.

O rapaz virou-se e foi se arrumar para ir àquele lugar que ninguém queria ir.

- Onde eu estou com a cabeça – pensou o pastor. Mas lá se foi o rapaz.

Poucos meses depois, o pastor foi convidado a pregar na igreja que o rapaz assumiu. A igreja no lugar que ninguém conseguiu fazer nada. A igreja estava lotada! O rapaz havia ganho dezenas de pessoas para Jesus. O rapaz lançou suas redes num lugar em que ninguém havia conseguido pescar nada e voltou com as redes cheias de peixes. Uma forte igreja nascia ali. O pastor não tinha mais dúvidas. Deus o havia perdoado!

É o que eu digo, a graça de Deus muitas vezes assusta e deixa-nos perplexos. Mas, quem somos nós para questionar a Deus e à sua graça.

""Onde estão os teus acusadores? Eu também não te condeno. Vai em paz e não peques mais - Jo 8.10,11.

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