quarta-feira, 18 de março de 2009

O vale das lágrimas

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Ela estava sendo um verdadeiro desafio para mim e para outros que oravam por ela. A irmã Cida era uma das pessoas mais antigas da igreja (ela havia se batizado junto comigo) e com certeza um exemplo de santidade e fé. Mas, lá estava esta irmã a cada dia definhando com uma enfermidade que fazia com que ela emagrecesse ao mesmo tempo em que suas pernas inchavam assustadoramente. Mesmo assim, todos os dias ela estava ali nos cultos nos quais ela me ajudava como obreira. Ela sentida dores e fraqueza, mas lá estava ela cheia de fé e de palavras de conforto.

Alguns vinham dizer-lhe que aquilo era alguma brecha que ela havia dado, pois, servos de Deus não podem ficar doentes se estão em dia com Deus. Outros diziam que era um ataque do diabo contra a vida dela. Outros diziam que ela deveria ter mais fé. Teve um que veio dizer a mim que estava sentindo que a hora da irmã havia chegado.

- O que o senhor acha, pastor? – me perguntava ela.

- Eu estou orando por você – era o que eu respondia. O que dizer de uma situação daquelas? O que quer que eu dissesse só seria mais um achismo.

E ela piorava.

A família queria que ela fosse internada, mas ela se recusava, pois, acreditava que Deus iria curá-la.

E ela piorava.

Numa reunião de oração, eu impunha as mãos sobre as pessoas e orava por elas. Ao colocar as mãos sobre a irmã, orei em línguas e ela entendeu o que eu disse. Bem, o que eu disse? Ela sabe. Só sei que ela saiu confortada daquela oração.

E ela piorava.

Um dia, sua família praticamente a pegou à força e a internaram num hospital da cidade. Ela foi chorando, pois ela ainda acreditava que Deus a iria curar.

Ela ficou no hospital algumas semanas. Lá foi constatado que ela tinha uma grave doença no sangue. Fui visitá-la várias vezes e nunca a encontrei deprimida ou desanimada.

No seu quarto, estava uma mulher aidética que lhe proferia palavras desanimadoras:

- Eu acho que você vai primeiro que eu – dizia a mulher.

- Eu não vou morrer com esta doença – respondia a irmã – Jesus vai me curar.

- Vai sonhando – dizia a outra.

Foi no meio de um diálogo desses que o médico entrou no quarto para dizer à irmã que ela estava de alta. Será que era para morrer em casa com a família? Não. Ela estava de alta porque a doença havia desaparecido. Não foi o tratamento médico, nem os remédios. A única coisa que os médicos sabiam é que em um exame a doença estava lá e no outro não estava. Jesus havia curado a irmã Cida! Aquela luta havia acabado.

Mas, qual foi o significado daquilo tudo? Porque a irmã passou aquele pedaço difícil? Sei não. Só Deus sabe, e ele não me revelou. Será que tem a ver com aquela mulher que estava no quarto junto com a irmã Cida, para lhe servir de testemunho? Sei não. Um dia, quem sabe, ficaremos sabendo.

Termino com as palavras do Salmista:

Felizes são aqueles que de ti recebem forças e que desejam andar pelas estradas que levam ao monte Sião! Quando eles passam pelo VALE DAS LÁGRIMAS, ele fica cheio de fontes de água, e as primeiras chuvas o cobrem de bênçãos. Enquanto vão indo, a força deles vai aumentando; eles verão o Deus dos deuses em Sião – Sl 84.5-7

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