sexta-feira, 13 de março de 2009

Você ainda está muito verde

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Quando o pastor entrou naquele quarto de hospital ficou assustado com a situação do moço ali deitado. Ele havia passado por várias cirurgias e estava se recuperando das inúmeras facadas que havia recebido. O moço soube que havia um pastor no hospital e pediu que ele fosse até seu quarto, pois precisava de oração e de abrir o coração. O pastor sentou-se ao seu lado e escutou com atenção o rapaz contando sua história:

Ele havia saído do mundo das drogas e da criminalidade através de um grupo que lidava com pessoas que viviam nesta vida. Ele foi acolhido numa casa de recuperação que pertencia ao grupo que lhe apresentou o evangelho. Ele teve um encontro marcante com Jesus que mudou sua vida e fez com que ele abandonasse as ruas e as drogas.

A vida na casa de recuperação era na base de oração, Bíblia, cultos quase que todas as noites na capela que ficava na própria casa e disciplina. Havia hora para acordar, hora para ir dormir, hora para arrumar os quartos, hora da oração, hora da leitura bíblica, enfim, hora para tudo. Os dias ali eram bem puxados. Mas a alegria do encontro com Jesus fazia com que tudo aquilo fosse feito com alegria.

Após algum tempo, nos cultos que ali se realizava, começaram a chamá-lo para que contasse o seu testemunho. Desde a primeira vez que ele fez isso dava-se para notar que ele tinha uma desenvoltura grande com as palavras e que sua palavra tinha muita unção. Quando ele falava “o fogo caia”. O moço tinha futuro.

Numa noite, após um culto em que o moço havia falado, um homem que estava presente chegou-se a ele e começou a elogiá-lo muito e a dizer o quanto sentiu o poder de Deus fluindo através da sua palavra. Perguntou ao moço o que ele fazia ali na casa. Ele deu um resumo dos seus dias ali.

- O que! – disse o homem – um rapaz como você, possuidor do dom da palavra, passa seus dias aqui, varrendo chão, lavando roupas, lavando louças, enclausurado? Seu lugar não é aqui. Seu lugar é lá fora testemunhando para outros e pregando para multidões que serão abençoadas através de suas palavras. Aqui, você está enterrando seus talentos.

As palavras do homem atingiram o coração do moço em cheio. Enquanto o mundo lá fora estava sedento, ali estava ele. Será que era isso que Deus queria? Ele ficou com estes pensamentos vários dias.

Não agüentando mais, foi ao diretor da casa de recuperação e falou-lhe sobre o que vinha fervendo em seu coração. O diretor escutou e disse-lhe:

- Eu acho que você ainda está muito verde.

Ele saiu daquele escritório um tanto contrariado. “Verde. Como assim!”. Tudo o que ele queria era fazer a obra de Deus, pregar sua palavra.

Ele tentou acalmar-se com oração e meditação na palavra. Ele sentiu o que era a luta da carne contra o espírito. Quando ele pensava que estava conseguindo se tranqüilizar, vinha-lhe pensamentos dos mais diversos. “Estão com inveja de mim e tentam me barrar. Que negócio é este de estar verde”.

Por fim, o desejo de ser um grande pregador venceu-o e ele se foi. Saiu da casa e foi correr atrás de seu arco-íris.

A princípio parecia que tudo corria bem. Ele conseguiu convites para pregar em diversas denominações e estava com a agenda cheia por algum tempo. Juntamente com as portas abertas para pregar vinham as contribuições que cresciam cada vez mais e passaram a lhe proporcionar certo conforto. Quando se viu num bom hotel, dirigindo um bom carro, ocupando espaço em grandes púlpitos e se dirigindo a grandes auditórios, ele teve certeza que havia tomado o rumo certo na vida.

Mas...

O tempo foi passando e os convites para pregar foram ficando cada vez mais raros. Afinal, ele não era o único “ungido do Senhor”. A “concorrência” estava ficando feia. Com a diminuição dos convites, as contribuições também diminuíram. Com o nível de vida que ele estava vivendo agora, ele precisava de mais dinheiro para se manter. Como o dinheiro não entrava, cheques começaram a voltar, cartões foram bloqueados e seu nome ficou sujo. Mais um pouco e ele estava devendo para agiotas. Mais um pouco e ele não podia nem andar pelas ruas porque pessoas a quem ele devia queriam matá-lo. Daí a voltar para as drogas, foi um pulo.

Que pena! Lá estava o moço de volta para aquele inferno de onde havia saído. E para piorar, por confusão envolvendo drogas, foi pego numa emboscada e baleado. Achado em tempo, foi levado para um hospital onde ficou vários dias numa UTI entre a vida e a morte. Mas, ele conseguiu escapar daquela e, após meses de internação saiu do hospital, ainda um tanto fraco. No mesmo dia que saiu do hospital seus “amigos” de drogas o acharam e o encheram de facadas. Novamente ele foi socorrido e levado de volta para o hospital. E ali estava ele.

O pastor ouviu sua história em silêncio.

- o que eu faço da minha vida agora pastor? – perguntou ele entre lágrimas.

- Lembra-te de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras – disse o pastor citando o Apocalipse.

Ajudado pelo pastor, o moço saiu do hospital e foi à casa de recuperação de onde ele havia saído. Entrou no escritório onde o diretor, aquele mesmo diretor, estava aguardando-o. O moço caminhava com dificuldade e seu semblante não era altivo como quando havia saído. Após um despencar de lágrimas e soluços, ele conseguiu falar:

- Posso voltar para cá?

- Mas o que um grande pregador como você iria fazer aqui? – disse o diretor sem acusação na voz.

- Quero servir. Só isso.

- Acho que você está começando a amadurecer.

O diretor abraçou o moço e o acompanhou até o quarto, o mesmo quarto, e para a mesma beliche. Uma festa estava acontecendo no céu.

Muitos anos se passaram. Hoje este moço se tornou um pai de família, tem um bom emprego e nos finais de semana e às noites está com sua esposa e seus filhos nos cultos ouvindo a palavra e adorando a Deus. Ele já levou muitos à Cristo no seu trabalho. Ele já trouxe muitos viciados em drogas para Cristo. Ele está envolvido e tudo o que pode na igreja de onde ele é membro. Ele é um ajudante e amigo de seu pastor. Quando lhe dão oportunidade ele prega. Ainda prega com muita unção. Não faltam aqueles que vêm lhe dizer que ele prega melhor do muitos pastores. Quando ouve isso, ele passa a mão nas cicatrizes de seu corpo e se lembra. Seu trabalho é servir. É... Ele amadureceu.

Esta história não é baseada em fatos reais...

... ela é real.

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