terça-feira, 5 de maio de 2009

As tempestades que nós mesmos procuramos

Homens, estou vendo que daqui para diante a nossa viagem será perigosa. Haverá grandes prejuízos não somente com o navio e com a sua carga, mas também haverá perda de vidas – Atos 10.27

Paulo estava sendo levado para Roma a fim de ser julgado. Após semanas de navegação, chegaram a um lugar chamado Bons Portos onde o navio atracou. Dali eles deveriam seguir viagem. Mas Paulo sentiu dentro de si aquilo que costumamos chamar de intuição. Paulo avisou ao oficial romano encarregado dele de que não seria seguro seguir viagem, pois ele estava “vendo” que a viagem seria perigosa. Paulo sugeriu que passassem o inverno ali. Mas, o oficial romano foi consultar o capitão e o dono do navio, pessoas mais experientes, e estes disseram que isso era bobagem e que poderiam seguir viagem tranquilamente. O oficial acreditou mais na palavra dos marinheiros e seguiram viagem.

No começo parecia que ia tudo bem, mas, de repente, viram-se no meio de uma tempestade assustadora. Paulo não resistiu e disse:

- Vocês deveriam ter me escutado.

Que coisa! Como a história se repete! Na maioria das vezes em que nos vemos em meio a tempestades, olhamos para trás e vemos que Deus usou alguém para nos avisar de que deveríamos ficar nos Bons Portos. Mas, também na maioria das vezes que colocamos na cabeça que é por aqui que devemos ir, quem é que tira isso de nós? Confundimos obstinação com convicção.

Quando colocamos na cabeça que é por aqui que devemos ir, palavras como as de Paulo, soam como palavras de derrota e pessimistas. Muitas vezes não sabemos distinguir palavras que são verdadeiros avisos de Deus para nós, a fim de nos livrar de tempestades que vêm pela frente.

O duro é ter que ouvir depois: “Eu te avisei”.

O duro é lembrar o quanto estava tudo tão bem lá em Bons Portos. “Custava eu ter esperado um pouco mais?”

O duro é ver a carga sendo jogada ao mar. Quanto prejuízo, tudo por causa da minha precipitação.

Mas, que bom saber que Deus não nos abandona!

Paulo disse a eles: “O navio vai afundar, mas ninguém vai morrer”. Em outras palavras, ele estava dizendo que, de fato, o navio “já era”, nem adianta orar para que ele não afunde, pois ele vai afundar, mas, vamos escapar dessa.

É isso ai! Se entramos numa viagem que não deveríamos, que poderíamos ter esperado e que por isso sofremos as conseqüências de nossas escolhas, ainda assim podemos contar com a misericórdia de Deus. O navio afundou perto de uma ilha e todos puderam se salvar.

No meio das tempestades que nós mesmos buscamos podemos ter certeza de algumas coisas: primeiro, a tempestade vai passar, e segundo, sairemos dela com vida.

Mais uma coisa, Deus quer que aprendamos a lição e sejamos mais prudentes e menos obstinados.

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