domingo, 3 de maio de 2009

No barco em que Jesus decide entrar

Certo dia Jesus estava na praia do lago da Galiléia, e a multidão se apertava em volta dele para ouvir a mensagem de Deus. Ele viu dois barcos no lago, perto da praia. Os pescadores tinham saído deles e estavam lavando as redes. Jesus entrou num dos barcos, o de Simão, e pediu que ele o afastasse um pouco da praia. Então sentou-se e começou a ensinar a multidão. Quando acabou de falar, Jesus disse a Simão: —Leve o barco para um lugar onde o lago é bem fundo. E então você e os seus companheiros joguem as redes para pescar. Simão respondeu: —Mestre, nós trabalhamos a noite toda e não pescamos nada. Mas, já que o senhor está mandando jogar as redes, eu vou obedecer. Quando eles jogaram as redes na água, pescaram tanto peixe, que as redes estavam se rebentando. Então fizeram um sinal para os companheiros que estavam no outro barco a fim de que viessem ajudá-los. Eles foram e encheram os dois barcos com tanto peixe, que os barcos quase afundaram. – Lc 5.1-7

Aqueles homens tentando pescar a noite toda sem conseguir pescar nada é um retrato da frustração que muitas vezes sentimos ao nos depararmos com poucos resultados diante de grandes esforços que fazemos. Todos nós nos deparamos com esta dura realidade de que nem sempre as coisas sairão do jeito que gostaríamos. Mas, graças a Deus que, pela manhã, Jesus veio de encontro àqueles homens.

Algo que me chama a atenção é que havia dois barcos ali. Ambos estavam vazios, pois os dois foram companheiros de infortúnio naquela noite infrutífera. A Bíblia diz que Jesus entrou em um deles que era o de Simão Pedro. Mas, por que Jesus escolheu o barco de Simão para entrar e não outro? Qual foi o critério para a escolha de Jesus se ambos estavam na mesma situação? Sinceramente não sei. Só sei que o Mestre entrou em um e não no outro.

Sabemos que o Senhor Jesus é livre e que faz o que bem quer. Mas como reagimos diante das escolhas que Jesus faz? O que fazemos quando vemos que Jesus fez algo por este e não por aquele? Afinal Ele não é o Deus que não faz acepção de pessoas?

Sim, Jesus é aquele que ama a todos igualmente, mas que muitas vezes entra no barco deste, mas não no daquele. Como pastor, muitas vezes vejo o que é esta escolha do Senhor.

Existem homens que, humanamente falando, não têm parecer e nem formosura alguma, mas que Jesus resolve entrar em seus barcos e atrair para eles os peixes. Cada vez que esses homens lançam as redes elas voltam cheias e, por incrível que pareça, é no mesmo lugar onde eu e outros lançamos as redes e elas voltaram vazias. Não estou falando aqui de picaretas da fé, nem de manipuladores, pois estes já têm as técnicas para atrair os incautos e fazem isto muito bem. Estou falando de verdadeiros homens de Deus, de homens de caráter e de ética. Homens a quem um dia Jesus resolveu entrar em seus barcos para fazer através deles o que a igreja no decorrer de sua história costuma chamar de “avivamento”.

Avivamento é isso, é Jesus decidindo entrar num barco e atrair os peixes a ele. É as redes serem lançadas em lugares que antes foram lançadas e voltavam vazias, agora voltarem cheias. São as mesmas redes, é o mesmo barco, o lago é o mesmo e também os peixes. A diferença é que agora tudo funciona.

Na maioria das vezes, os do outro barco ficam murmurando e criticando. Eles não se conformam que Jesus tenha entrado naquele barco. Eles acham que Jesus, na verdade, nem entrou naquele barco e que aquilo tudo é fogo de palha. Eu sou tentado a agir assim cada vez que vejo alguém tendo mais sucesso ministerial do que eu.

Alguns diriam que Jesus entrou naquele barco porque o dono do barco é mais esforçado do que os outros. Mas, não é o nosso esforço quem vai produzir a pesca maravilhosa. É claro que precisamos ser esforçados e que a preguiça não agrada a Deus. Mas, o simples fato de alguém ser esforçado não produzirá a pesca maravilhosa. Ela é obra da escolha do Mestre. Ele decide entrar num barco, e entra.

Ele decidiu entrar no barco de Evan Roberts;

Ele decidiu entrar no barco dos irmãos Wesley;

Ele decidiu entrar no barco de Georde Whitefield;

Ele decidiu entrar do barco de Charles Finney;

Ele decidiu entrar no cenáculo, no dia de Pentecostes.

Cada vez que ele entrou nestes barcos, a igreja foi conduzida para águas mais profundas, pois o trabalho de Deus não é raso. Ao chegar a estas águas profundas, a grande pesca aconteceu.

Mas, e o outro barco? Houve peixe para eles também. Quando existe respeito pelo mover de Deus, todos se beneficiam com isso. Os dois barcos ficaram cheios. Isso ai, os dois! Pedro chamou o segundo barco para pegar alguns peixes, pois no dele não caberiam todos. Tem peixe para todo mundo. Quando o que existe é uma imitação de mover de Deus, existe briga por peixes; até se rouba peixe do barco do outro. Quando Deus visita de verdade, existe ética e compartilhar.

Muitas vezes nos cansamos de lançar as redes e de vê-las voltarem vazias. Elas só voltarão cheias quando Jesus decidir entrar neste barco. Não que Ele não esteja até agora, pois nunca estamos sozinhos. Falamos aqui de um visitar diferente. Falamos aqui de uma pesca maravilhosa.

Não podemos forçá-lo a entrar. Não existe fórmula para avivamento, embora alguns achem que exista. Existem os livros que ensina que isto ou aquilo é a chave para o avivamento. Mas, avivamento, avivamento verdadeiro, é ação soberana de Deus.

Só podemos ser fieis em nossa pescaria atual. Talvez no momento, pescando um peixinho de cada vez. Um dia pescamos, no outro não. Um dia são dois peixinhos, no outro nenhum. E por ai vai.

Sejamos fieis em nossa pesca atual, ainda que não seja tão maravilhosa. Não sejamos invejosos com aqueles que estão enchendo suas redes.

Nossa vez chegará!!!

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