Mostrando postagens com marcador Adversidades. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Adversidades. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Cura-me da Ansiedade, Senhor.




“O SENHOR Deus fez com que o homem caísse num sono profundo” - Gênesis 2.21.

Muitas vezes, este tem que ser o primeiro milagre que Deus precisa operar para que possa realizar outros milagres na vida do ser humano. E quão grandioso é este milagre: descansar!

Uma das situações que mais gera ansiedade no ser humano é a espera por algo que ele deseja imediatamente. Existem coisas que, logo após pedirmos a Deus, se concretizam rapidamente. Outras, precisamos aguardar um pouco mais. Algumas, precisamos esperar sentados! E são essas que nos desafiam. Afinal, quem gosta de esperar? Contudo, a realidade é que, independentemente de quão ansiosos estejamos, certas coisas só se concretizarão no tempo certo. E, frequentemente, esse "tempo certo" não é nem hoje nem amanhã. Tais esperas roubam o sono de muitos.

Observemos o caso específico de Adão. O que lhe era essencial? Uma companhia. Sim, todos os animais tinham seus pares, exceto ele. É desafiador ver todos acompanhados enquanto nos sentimos solitários. Observar outros atualizando seus status em redes sociais para "em um relacionamento sério" e nós, sem alterações. Ver até mesmo irmãos mais novos encontrando suas "tampas", e nós...

É nesses momentos que muitas pessoas perdem a paciência, são dominadas pela ansiedade e complicam suas próprias vidas. Surge a ideia de que é preciso agir, dar um jeito, "ajudar" Deus em sua obra.

Não foi exatamente isso que Abraão fez ao ter um filho com Hagar? Aliás, este é outro exemplo clássico: a espera por um filho. A Bíblia afirma que os filhos são herança do Senhor. É Deus quem os concede, ou não, tudo a seu tempo e à Sua maneira. Contudo, é neste ponto que muitos, ao não confiarem na sabedoria e soberania divinas, acabam tomando decisões precipitadas (quem lê, entenda).

Com Adão, Deus começou fazendo-o dormir. Não seria este o pedido que deveríamos fazer a Deus hoje? "Senhor, permite-me descansar em Tua vontade. Ajuda-me a esquecer deste assunto. Ensina-me a me contentar com o que tenho agora. Cura-me da ansiedade."

Todos nós já vivenciamos momentos em que algo aconteceu justamente quando já não estávamos mais focados naquilo. Deus quer que compreendamos o valor de tranquilizar nossa alma e superar a ansiedade.

Reconhecemos que isso não é tarefa simples. Mas Deus está presente para nos proporcionar um profundo repouso.


Bora cantar. (Aumenta o volume) Essa você conhece...
Pr Edmilson

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Retira-se para lugares desertos e ali orava



Lc 5.16
Um dos aspectos mais maravilhosos da vida de Jesus em seu ministério terreno era seu dinamismo. Especialmente no evangelho de Marcos, vemos aquela movimentação intensa de Jesus para realizar o trabalho para o qual fora enviado. É neste evangelho que vemos a repetição de termos como “imediatamente”, “logo em seguida” e “rapidamente”, para mostrar a velocidade em que as coisas aconteciam e como Jesus sabia aproveitar bem seu tempo. De fato, Jesus era uma pessoa muito dinâmica.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Amargurada




Não me chamem de Noemi, a Feliz. Chamem de Mara, a Amargurada, porque o Deus Todo Poderoso me deu muita amargura. Quando saí daqui, eu tinha tudo, mas o SENHOR me fez voltar sem nada. Então, por que me chamar de Feliz, se o Deus Todo-Poderoso me fez sofrer e me deu tanta aflição? – Rute 1.20,21



Seu nome era Noemi e significa “feliz”. Belo nome! Mas, quando retornou à Belém, sua terra, ela se recusou a ser chamada por este nome. Agora queria ser chamada de Mara. Este nome significa “amargurada”. Ela queria ser chamada assim porque era assim que se encontravam sua alma. Ela não estava amargurada com as pessoas nem com a vida. Estava amargurada... com Deus.

Houve uma época em que ela aceitava ser chamada de feliz e era quando morava em sua pequena cidade com Elimeleque, seu marido, e com Malon e Quiliom, seus filhos. Mas, um dia seu marido cismou de se mudar por achar que em Moabe as condições de vida seriam melhores. Não sei se Noemi gostou da ideia. Eu acho que não. Geralmente é mais difícil para as mulheres deixarem para trás sua casa, seus parentes, seus vizinhos, sua rotina. Mas ela acompanhou o marido. O que mais poderia ela fazer?

Em Moabe, seus filhos conheceram duas belas moças, Orfa e Rute, e se casaram. Devagar Noemi ia se ajustando à sua nova vida. Mas, o inesperado aconteceu: sabe-se lá sob que circunstâncias, seu marido morreu. Agora só lhe restava seus queridos filhos para diminuir aquela dor. Mas, o inesperado aconteceu: sabe-se lá sob que circunstâncias, um de seus filhos morreu. A dor da viuvez se juntou a indescritível dor da perda de um filho. E para piorar a coisa o inesperado aconteceu: sabe-se lá sob que circunstâncias, o outro filho também morreu. Diante de uma onda após outra de sofrimentos não há coração que aguente. Cada um reage de um jeito.

Foi em meio a tanta dor que Noemi decidiu voltar para sua terra. Já não era mais a mesma pessoa. Os traços do sofrimento estavam em seu rosto. Sua história comoveu a pequena Belém. Em seu regresso, o peso maior não eram as bagagens com os bens que havia adquirido em Moabe. O que pesava mais era a amargura em seu coração. Ela não havia deixado de acreditar na existência de Deus como alguns fazem diante das tragédias. Ela estava zangada com Ele. Ela questionava Deus. Por que afinal Ele havia permitido que tudo aquilo acontecesse? O que ela havia feito para que Ele a tratasse daquele jeito? Nada fazia sentido. Ela estava amargurada com Deus.

Todos nós estamos sujeitos a ficarmos amargurados também se não compreendermos que há certas coisas que são somente consequências de nossas escolhas. Outras são consequências das escolhas das pessoas próximas a nós. Algumas coisas vêm para o nosso amadurecimento e crescimento. Há outras que não compreendemos agora, mas, se tudo der certo, um dia compreenderemos. O que não podemos é duvidar do amor, da sabedoria e da soberania de Deus.

Há outro princípio que não podemos perder de vista: a tristeza pode durar uma noite, mas a alegria vem no amanhecer. Por mais que pareça que não, as marés ruins cessarão e voltaremos a sorrir. Não é por acaso que está escrito que quando Noemi regressou era época da colheita em Belém, era tempo de festa. A sorte de Noemi estava mudando.

Ela havia perdido pessoas preciosas, mas regressou de Moabe com uma nora, Rute, que lhe tinha um amor e um cuidado tão grande que dificilmente ela acharia até mesmo em um filho. Em Belém, Boaz, um rico dono de terras e piedoso servo de Deus, casou-se com Rute e amparou Noemi. Quão feliz ela ficou ao segurar nos braços o filho de Rute, que ficou conhecido como filho de Noemi. Deus não desampara ninguém. A viúva solitária e amargurada voltava a ser uma pessoa feliz. Mal sabia ela que Obede, o filho de Rute que ela cuidava como seu, viria a ser o avô do grande rei Davi. Mal sabia ela que sua história estaria sendo contada para consolo de tantos corações amargurados.

Se hoje caminhamos pelo vale árido mantenhamos a esperança de que a colheita da alegria está logo à frente.

Pr Edmilson

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Uma mente doente

 

image

João Batista nos mandou perguntar o seguinte: o senhor é aquele que ia chegar ou devemos esperar outro? Lucas 7.20

João foi o homem que ouviu a voz de Deus falando a respeito de Jesus no momento do seu batismo: “Este é meu filho amado em quem me comprazo”. Ele viu o Espírito Santo descer sobre Jesus na forma de uma pomba. Ele não vacilou ao apontar para Jesus e dizer aos seus seguidores: “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Mas, um dia, de dentro da prisão, ele enviou dois discípulos para perguntar a Jesus se ele era mesmo o Cristo, ou se deveriam esperar outro. O homem que tinha ouvido o próprio Deus falando quem era Jesus, agora estava em dúvida. Como pode?

Creio que isso tem muito a ver com o fato de João Batista se encontrar no isolamento de uma prisão. Quando se está isolado o que mais se faz é pensar. Pensar, pensar e pensar o dia inteiro, e talvez, a noite inteira. Quando há uma superatividade mental Satanás gosta de interferir e jogar suas setas na mente da pessoa. De repente, surgem pensamentos que parecem vir do nada e começam a semear coisas ruins no coração da pessoa. Esses pensamentos podem semear tristeza, raiva e também dúvidas. O pensamento é algo tão forte que algo semeado nele pode fazer a pessoa duvidar de coisas que ela tinha muita certeza. Sei do que estou falando, pois, na minha juventude e começo da vida cristã trabalhei numa empresa onde ficavam fazendo um trabalho manual repetitivo que não exigia nenhuma concentração minha. Eu ficava isolado e o que eu fazia o dia inteiro era pensar. Em certo momento comecei a enfrentar terríveis batalhas na minha mente. Pensamentos surgiam questionando a existência de Deus, a pessoa de Jesus, a autoridade da Bíblia, o caminho que eu estava seguindo. De repente, lá estava eu duvidando de coisas que eu tinha certeza. Eu tentava me livrar daqueles pensamentos, mas, parecia que eles ficavam cada vez mais fortes. Havia momentos em que parecia que eu ia ficar louco. De onde será que vinham aqueles pensamentos. Eu sei de uma coisa, Deus semeia fé em nossos corações, mas, quem gosta de semear dúvidas, sabe quem é, né? Imagino que foi mais ou menos isso que João Batista enfrentou naquela cela.

Nossa mente é um campo de batalha, e como temos que saber dominá-la e, acima de tudo, termos um capacete espiritual guardando-nos dos ataques do Diabo! O que eu fiz para vencer aquela guerra no campo mental? Fiz como João Batista, fui buscar a Jesus. Repare que, quando foi interrogado se ele era o messias ou não, Jesus não respondeu “sou”. Ele manifestou o seu poder e mandou que os dois discípulos contassem a João o que haviam visto. Aqueles dois discípulos seriam os olhos de João. O que João Batista precisava não era resposta à suas perguntas. O que ele precisava era ser curado.

Termos questionamentos é natural e até salutar para nossa vida. Mas, ter a mente e a alma doente é bem diferente e não faz nada bem para nós. Uma mente doente se torna presa a pensamentos que ficam como uma fita se rebobinando. Uma mente assim só é curada através da manifestação de Deus. Quando a mente está doente, não há resposta que satisfaça, pois, cada resposta gerará uma nova pergunta. A presença de Deus, uma experiência com Deus, é tudo o que a pessoa enferma na mente precisa para ser curada. Quando a pessoa é curada, ela entende que a própria fé é a prova das coisas que não se vê.

Que o Senhor Deus guarde nossa mente a fim de que ela não seja um instrumento de adoecimento dos nossos corações. Que todos os nossos pensamentos sejam levados cativos à obediência de Cristo. Que nossa mente seja a mente de Cristo.

Pr Edmilson

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Na hora do aperto, cuidado

image

Naquele tempo houve em Canaã uma fome tão grande, que Abrão foi morar por algum tempo no Egito – Gênesis 12.10

Abrão veio parar na terra de Canaã por uma ordem de Deus. Ele saiu da cidade de Ur, onde vivia confortavelmente a tantos anos e se embrenhou numa aventura de fé. Uma vez que Canaã era a terra para onde Deus o havia mandado, seria de se esperar que aquela terra fosse um paraíso. No entanto, havia fome naquela terra, provavelmente provocada por um longo período sem chuva. Trilhar o caminho da fé faz com que nos deparemos com situações que parecem incoerentes. Nessas horas nossa confiança em Deus é colocada à prova. Naquelas horas, talvez chegassem viajantes de Ur, parentes ou conhecidos de Abrão para lhe falar da bobagem que ele fez ao sair de sua cidade e que o melhor seria ele deixar de ser orgulhoso e voltar para sua terra e esquecer esse negócio de “voz de Deus”. Como poderia Deus tê-lo levado para um lugar daqueles? O velho patriarca estava sendo tentado a voltar atrás, e os momentos de aperto são uma terrível tentação a isso.

Voltar, ele não voltou, mas caiu em outra tentação. Abrão pegou sua esposa e foi para o Egito, pois parecia que era o melhor a fazer. Ele estava vendo no Egito uma saída para o aperto que estava vivendo. Quando chegou ao Egito, Abrão disse aos egípcios que Sarai era sua irmã, a fim de que os egípcios não o matassem para ficar com ela. “Afinal, antes de nos casarmos ela era minha meia-irmã”, pensava ele, ”então, é só uma meia mentira”. Mas, que projeto é esse que já começa com uma mentira?

Por causa do que ele disse, faraó tomou Sarai para si e cobriu Abrão de riquezas. Mas, que projeto é esse no qual se perde a família, mesmo ganhando riquezas? Fico imaginando como ficou o coração de Abrão quando viu sua esposa sendo levada. A paz sumiu do seu coração. Eis aí um grande indício de que se está vivendo fora dos projetos de Deus: a paz desaparece. E ela desaparece mesmo quando se recebe riquezas como presente do príncipe deste mundo. O príncipe deste mundo mantém muitas pessoas presas com seus presentes.

Mas, graças a Deus, com Abrão não foi assim. Deus não havia desistido do patriarca. Ele julga principalmente as intenções do coração. Deus fez com que a verdade viesse à tona e libertasse Abrão daquela situação. Com a verdade, a paz começou a voltar ao coração de Abrão e ele tomou o caminho de volta para o lugar de onde ele nunca deveria ter saído. Abrão descobriu que enquanto estivermos habitando na terra da vontade de Deus, verdadeiramente seremos alimentados.

Pr Edmilson

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Fazendo negócios com Deus?

image

Satanás respondeu: —Será que não é por interesse próprio que Jó te teme? – Jó 1.9

Um dia o acusador compareceu diante de Deus no meio do ajuntamento de anjos que se reunia perante o Senhor. É isso aí! Ele transfigura-se em anjo de luz e consegue passar despercebido no meio dos outros anjos. Ele só não engana a Deus que o reconheceu imediatamente. Respondendo à pergunta de Deus, satanás disse que ao andar na terra e passear por ela, de fato, um homem havia lhe chamado a atenção. Jó se destacava dos demais não somente por ser o homem mais rico da terra, mas principalmente por seu temor à Deus, sua piedade e sua vida justa. Jó era um daqueles de quem Deus não se envergonhava de ser chamado o seu Deus. Mas, o acusador estava ali para fazer o seu trabalho. Por acompanhar a raça humana a muito tempo, ele já havia formado o conceito de que os seres humanos só se relacionam com Deus na base da barganha e da troca. Deus lhes dá o que eles querem e eles lhe pagam com uma vida piedosa. Ou então, eles vivem uma vida reta, obedecendo aos mandamentos de Deus, e Deus lhes paga com prosperidade, saúde e proteção. Em outras palavras, o que existe entre Deus e os homens, não passa de negócios. Satanás sabia que tudo o que Jó tinha vinha das mãos de Deus (e ele não tinha pouco). Jó só poderia responder com fidelidade e obediência. Satanás achava que os servos de Deus são como seus servos. Satanás compra seus seguidores lhes oferecendo os reinos do mundo e a glória deles. É verdade que muitos se prostram e o adoram em troca dessas coisas. Muitos fazem isso em relação a Deus também. Eles o adoram desde que Deus lhes dê os reinos do mundo e a glória deles. Uns vendem a alma ao Diabo, outros querem vendê-la para Deus. Para estes, Deus e o diabo não são muito diferentes. A aposta de Satanás é que, onde existe fidelidade, por trás, na verdade, só existe interesse.

Cabe a nós examinarmos nossa devoção a Deus para descobrirmos se, em relação a nós essa acusação seria verdadeira. É só pararmos e pensarmos se servirmos a Deus a fim de que Ele faça por nós coisas que, se pensarmos bem, satanás também pode fazer. Se enxergarmos em Deus uma espécie de gênio da lâmpada, que vai nos conceder os três pedidos, é sinal de que nosso relacionamento não passa de um negócio. Pedro conheceu Jesus em meio a um milagre, uma pesca maravilhosa. Mas, um dia, Jesus quis saber só de uma coisa: “Pedro, você me ama”. Naquele dia os peixes pularam milagrosamente na rede de Pedro, mas, viriam dias em que isso não iria acontecer. Nessa hora, o que iria sustentar Pedro senão um relacionamento de verdadeiro amor? E tem mais, o príncipe deste mundo também consegue fazer com que as redes de muitas pessoas fiquem cheias (embora o coração esteja vazio). Deus sempre soube, e a experiência com o povo de Israel no Egito e no deserto demonstrou, que os milagres produzem admiração, mas não amor. Sim, Ele faz milagres, prospera e protege, mas, sem ilusões e por misericórdia. Deus não quer relacionamentos como daqueles milionários de setenta e tantos anos com uma namorada de vinte e três. Ele sabe o que sustenta a maioria desses namoros e casamentos. Para satanás, os homens não passam de jovens garotinhas namorando com um poderoso empresário.

Em relação a Jó, Satanás quebrou a cara. Ele conheceu um homem que recebia o que Deus lhe dava, mas, o seu tesouro era o próprio Deus. São homens desse tipo que tem silenciado o acusador. São homens deste tipo que são o prazer do coração de Deus. Jó não foi provado para que Deus soubesse o que havia no coração dele, pois não há o que Deus não saiba. Jó foi uma demonstração para o diabo, para os anjos e para o mundo de que nesta terra existem homens que verdadeiramente amam a Deus.

Pr Edmilson

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Crise de fé

image

Ó SENHOR Deus, até quando clamarei pedindo ajuda, e tu não me atenderás? Até quando gritarei: “Violência!”, e tu não nos salvarás? Por que me fazes ver tanta maldade? Por que toleras a injustiça? Estou cercado de destruição e violência; há brigas e lutas por toda parte. Por isso, ninguém obedece à lei, e a justiça nunca vence. Os maus levam vantagem sobre os bons, e a justiça é torcida – Habacuque 1.2-4

Habacuque estava vivendo uma crise de fé. Ele estava vendo os babilônios invadirem a terra de Judá e conquistarem seu povo. Como profeta, ele sabia que Deus estava permitindo aquilo por causa dos pecados do seu povo. Deus estava usando os babilônios para castigar o povo de Israel. Mas, o que Habacuque não entendia era por que Deus estava punindo o pecador povo de Israel usando um povo mais pecador ainda. Se Israel era culpado de idolatria, esta não chegava nem aos pés da idolatria de Babilônia. Habacuque estava confuso com o agir de Deus.

Todos estão sujeitos a entrar numa crise de fé principalmente quando não entendem a forma de Deus agir ou de não agir. A crise começa quando pensamos que a mente de Deus é igual a nossa, quando nos esquecemos que os seus pensamentos são mais altos que os nossos (Is 55.9). A crise pode vir quando vemos alguém doente, sabemos que Deus tem o poder de cura-lo, oramos, mas isso não acontece. A crise pode vir quando vemos tragédias caírem sobre pessoas justas. A crise pode vir quando se vê os ímpios prosperando em seus caminhos e realizando seus sonhos, enquanto aquele que acredita em Deus parece que vai ficando para trás (Sl 73).

A verdade é que Deus sabe muito bem o que faz e o que deixa de fazer. Ele é justo e amoroso. Existe algo que machuca muito seu coração: quando desconfiamos dele. Ele nos dá mil e um motivos para acreditarmos no seu amor, na sua sabedoria e na sua justiça, mas, ao vermos algo que não compreendemos deixarmos de confiar nele. Isso machuca seu coração. Esse foi um dos motivos que fez com que o povo de Israel não entrasse na terra prometida, mas somente seus filhos. Diante dos primeiros obstáculos eles não clamavam pedindo socorro, eles reclamavam e murmuravam. Uma das coisas que Deus mais quer é que confiemos nele.

Mas o que fazer quando enfrentamos essas crises? Devemos fazer o mesmo que Habacuque fez, devemos nos colocar em nossa torre de vigia e clamarmos à Deus:

“Vou subir a minha torre de vigia e vou esperar com atenção o que Deus vai dizer e como vai responder à minha queixa” (Hc 2.1).

Talvez Ele nos dê uma explicação como fez com Habacuque. Deus mostrou a ele que os babilônios estavam sendo um instrumento de Deus para disciplinar o povo de Israel, mas, o dia deles mesmos (os babilônios) serem julgados iria chegar (Hc 2.16). O povo de Israel estava sendo disciplinado como filhos e, após aprenderem a lição seriam restaurados, mas, os babilônios seriam exterminados. Agora as coisas faziam mais sentido para Habacuque.

Talvez Deus nos responda com o que Jesus disse à Pedro: “O que eu faço agora você não entende, mas intenderá depois” (Jo13.7).

Talvez Deus nos responda como Jesus respondeu para João Batista que se encontrava preso: “Felizes aqueles que não abandonam sua fé em mim” (Mt 11.6).

Talvez Deus nos responda simplesmente colocando paz em nosso coração (Rm 15.13).

Alguns, ao enfrentarem uma crise de fé não recorreram a Deus, preferiram abandona-lo. Estes não quiseram saber de um Deus que não se encaixe nas suas perspectivas. Outros recorrem a Deus e são curados e saem com uma fé mais fortalecida. Estes sabem que ainda que não entendam o que Deus está fazendo, podem confiar nEle. Habacuque experimentou isso e, ao ser sarado, declarou:

“Ainda que as figueiras não produzam frutas, e as parreiras não deem uvas; ainda que não haja azeitonas para apanhar nem trigo para colher; ainda que não haja mais ovelhas nos campos nem gado nos currais, mesmo assim eu darei graças ao Senhor e louvarei a Deus o meu Salvador. O Senhor é a minha força ele torna o meu andar firme como de uma corça e me leva para as montanhas, onde estarei seguro” (Hc 3.17-19).

Quem recorre a Deus, ainda que tenha vacilado na fé, voltará a caminhar firme e subirá novamente para a montanha da comunhão com Deus onde estará seguro.

Pr Edmilson

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Filhos - Flechas nas mãos de um soldado

filhos flecha

“Os filhos são um presente do SENHOR; eles são uma verdadeira bênção. Os filhos que o homem tem na sua mocidade são como flechas nas mãos de um soldado. Feliz o homem que tem muitas dessas flechas! Ele não será derrotado quando enfrentar os seus inimigos no tribunal”. Salmo 127.3-5 NTLH

“Os filhos são um presente do Senhor”. Muitos, ao se depararem com os desafios que todos os pais enfrentam ao criarem seus filhos, dizem que filho é dor de cabeça, é trabalho, é problema. Mas a palavra de Deus diz que eles são presente do Senhor e que são verdadeiras bênçãos. Creio que o primeiro passo que todos os pais devem dar é verem seus filhos como Deus os vê. É preciso termos a fé que faz com que possamos dizer: “se Deus disse que eles são presentes, então eles não são acidentes. Se Deus disse que eles são bênção, então eles não são maldição”. Sei que há certas fases em que acreditar nisso exige uma dose maior de fé. Mas, Deus quer que chamemos o que não é como se já fosse (Rm 4.17).

A Bíblia diz que eles são flechas nas mãos de um soldado. O soldado sabia que o propósito de uma flecha era atingir o alvo e, para isso era preciso que ela fosse bem reta. Uma flecha torta, dificilmente atingiria o alvo. Esta figura nos mostra a importância de se trabalhar no caráter dos filhos a fim de que eles entendam o valor da retidão. Uma herança de inestimável valor que um pai deixa aos filhos é o exemplo de uma vida correta. Somente com exemplo é que se poderá ensinar ao filho como é que se caminha com honra nesta terra. Ser honesto em tudo, honrar seus compromissos, ter palavra, respeitar aos outros, ser diligente, plantar coisas boas, fazer o bem, saber que há um Deus que a todos vê, são algumas das coisas preciosas que podemos ensinar aos nossos filhos a fim de que eles sejam flechas retas. Digo ensinar, primeiro através de nossas vidas e depois através de nossas palavras. A promessa de Deus é de que se ensinarmos o menino o caminho em que deve andar, quando for grande não se apartará dele (Pv 22.6). Sabemos que nossos filhos são possuidores do livre arbítrio, e que, têm a capacidade de escolherem o caminho que seguirão, seja ele bom ou mal. Mas, o que Salomão nos mostra é o papel dos pais: ensinar o caminho em que devem andar os filhos. Tomar este caminho é com eles. Nosso papel é apontar as flechas para o alvo. O alvo é o propósito de Deus para a vida de nossos filhos. Sim, Deus tem um projeto para cada um deles. Que tristeza é vermos jovens mergulhados nas drogas e no crime. Este não era o alvo de Deus para suas vidas. Quando vejo aquelas reportagens onde são mostradas quadrilhas presas, algemadas e sendo filmadas e fotografadas, penso em como seus pais estão sofrendo ao assistir aquilo. É claro que nenhum pai apontou suas flechas naquela direção, nenhum pai desejou aquilo para seus filhos. Infelizmente, estas flechas tortas erraram o alvo de Deus para suas vidas. Mas, existe uma promessa que diz que o que está torcido se endireitará (Is 40.4). Muitas flechas tortas serão endireitadas pelos tratamentos de Deus e tomarão o rumo certo em suas vidas. O trabalho de endireitar uma madeira que está torta é dolorido para esta madeira, mas, o resultado é maravilhoso. Se virmos flechas indo na direção errada, a primeira coisa que tranquiliza nosso coração é sabermos que fizemos nossa parte. A segunda é sabermos que Deus tem seus meios para endireitar uma flecha e que, através de nossas orações, irá transformar nossos filhos na bênção que eles vieram ao mundo para ser.

A Bíblia diz que com o coração se crê e com a boca se faz confissão (Rm 10.10). Então é bom praticarmos o falar aquilo em que cremos. É bom pararmos de dizer que nossos filhos são uma decepção, uma vergonha, uma praga. É bom dizermos que nossos filhos são um presente, que são uma bênção. Não estou falando de confissão positiva, estou falando de cremos e declaramos a palavra de Deus, pois, em certos momentos e em certas fases da vida de nossos filhos, a única coisa em que poderemos nos agarrar será nas promessas da palavra de Deus. Há momentos em que se é preciso crer contra a esperança e colocar a palavra de Deus acima daquilo que nossos olhos vêm.

Temos um inimigo que quer nos derrotar através de nossos filhos e que gosta de nos acusar para nos sentirmos os piores pais do mundo. Mas a Bíblia diz que venceremos nossos inimigos, pois a história ainda não acabou. A semente da palavra e do bom exemplo que plantamos no coração de nossos filhos, um dia brotará.

Pr Edmilson

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Entre a unção e o trono

image

“Tu cumprirás tudo o que me prometeste. O teu amor dura para sempre, ó Senhor Deus. Não abandones o trabalho que começaste” (Sl 138.8 NTLH).

Entre o momento de uma promessa e o seu cumprimento, geralmente existe um longo período de tempo, provações e situações que parecem indicar que estamos caminhando na direção oposta a esta promessa. Quando Davi foi ungido pelo profeta Samuel na casa de seu pai, ele recebeu a promessa de que seria rei de Israel (1 Sm 16.13). Após isso nós não vemo-lo se aproximando do trono, ao contrário. Após aquela unção, Davi se viu no meio de um redemoinho de problemas e humilhações. Para salvar a sua própria vida, teve que morar em cavernas (1 Sm 22.1). Entregou os pais aos cuidados dos moabitas para poupá-los de suas aflições (1 Sm 22.3). Para não ser morto, se fez passar por louco (1 Sm 21.13). Quem olharia para aquele homem e diria que ele estava a caminho de se tornar rei? Parecia mais que Davi havia entrado num processo de decadência. Provavelmente, muitos olhavam para ele e viam nele um exemplo negativo de alguém que certamente estava fazendo algo errado, pois, somente isso justificaria aquele declinar na vida. É possível que ele tornou-se um provérbio: “Se você não se comportar vai acabar como Davi.” Mas, o olhar de Deus é diferente do nosso e, aos olhos de Deus, Davi estava crescendo. Davi crescia como homem, como líder, como servo. Aqueles anos entre a unção e o trono não foram tempos perdidos, não foram um parêntese em sua vida. Ele estava sendo forjado.

Naquela unção, na casa de Jessé, Deus havia começado um trabalho e, quando Deus começa, ele termina. Deus só precisa de nossa fé e cooperação.

A fé é para nos manter caminhando no rumo certo no meio do nevoeiro. Sem ela, tudo fica confuso e começamos a achar que a promessa não passou de uma ilusão. Quando falta a fé, aquela dos homens de hebreus 11, não conseguimos caminhar como quem vê o invisível. Aí começamos a seguir nossos próprios caminhos e o resultado é um Saul inseguro, ciumento e perturbado. Deus precisa de nossa cooperação para que trabalhemos com Ele. O colocar a coluna de nuvem diante de nós é trabalho dEle, mas o acompanha-la é serviço nosso. Ainda que a nuvem da orientação de Deus pareça estar indo na direção errada, devemos lembrar que Deus sabe o que está fazendo. Ainda que ela nos leve para o vale da sombra da morte, devemos nos lembrar que Deus nos ama e sabe o que é melhor para nós.

Este foi o caminho do jovem pastor que se tornou rei. Este é caminho dos que, pela fé, alcançam promessas.

Pr Edmilson

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Feliz na aflição?

image

“Meus irmãos, sintam-se felizes quando passarem por todo tipo de aflições.Pois vocês sabem que, quando a sua fé vence essas provações, ela produz perseverança. Que essa perseverança seja perfeita a fim de que vocês sejam maduros e corretos, não falhando em nada!” Tiago 1.2-4

O que Tiago nos ordena fazer parece ser contrário à natureza humana: alegrarmo-nos quando passarmos por todo tipo de aflições. A verdade é que nós fugimos o quanto podemos das aflições. Aflição e felicidade parecem ser coisas que não podem estar juntas. No entanto esta é a ordem dada pelo Espírito Santo através do irmão do Senhor. Mas, observe, que ele não nos manda nos alegrar na aflição pela aflição, pois não há como fazer isso. Esta alegria tem que ser motivada por sabermos que toda aflição permitida por Deus tem um propósito. Devemos estar felizes por sabermos que a aflição produzirá em nós bons frutos.

O primeiro deles é a perseverança que se fortalece em nós cada vez que, pela fé, vencemos as provações. Entenda que, vencer as provações é sairmos delas com a fé intacta e com uma nova revelação de Deus, como aconteceu com Jó (Jó 42.5). Cada vez que atravessamos as circunstâncias difíceis com os olhos no consumador da fé (Hb 12.2), nos tornamos mais firmes em nossa caminhada não nos deixando levar por qualquer vento que sopra. Tornamos-nos mais pacientes pois aprendemos a entregar os nossos caminhos ao Senhor, confiar nEle para que o mais (aquilo que eu não posso fazer), Ele faça (Sl 37.5).

À medida que caminhamos de tribulação em tribulação numa fé perseverante, vamos nos tornando cada vez mais maduros. Ainda que devamos manter a infantilidade no que diz respeito à malícia (1 Co 14.20), no que diz respeito à vida e ao nosso comportamento, devemos amadurecer. Deus não deseja que sejamos meninos inconstantes, mas sim, que alcancemos a estatura de varão perfeito, a estatura de Cristo (Ef 4.13,14). Abraão deu uma festa quando Isaque foi desmamado (Gn 21.8), Deus também festeja quando vê seus filhos amadurecendo. Para isso, ele faz como a águia que por algum tempo alimenta os filhotes, mas no momento certo os empurra para fora do ninho. Muitas tribulações nada mais são do que Deus nos empurrando para fora do ninho do comodismo e da criancice. Ouvi dizer que, aos poucos, a águia vai retirando as folhas que cobrem o ninho e, dia a dia, o ninho vai ficando mais desconfortável, pois os galhos começam a incomodar os filhotes. No começo, eles reclamam, mas depois vão entendendo que é hora de voar. Deus quer que nós voemos também e, para isso, muitas vezes Ele mesmo vai deixando a situação desconfortável. Feliz é quem entende isso, pára de reclamar e alça vôo. Para isso fomos criados

Quem trilha este caminho vai sendo aperfeiçoado a cada dia. Aonde você vir uma pessoa madura e correta, aqueles de quem “Deus não se envergonha de ser chamado de seu Deus” (Hb 11.16), você verá em sua trajetória muitas passagens pelos vales das aflições.

Pr Edmilson

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Quando as plantas do conforto murcham

image

Então o SENHOR Deus fez crescer uma planta por cima de Jonas, para lhe dar um pouco de sombra, de modo que ele se sentisse mais confortável. E Jonas ficou muito satisfeito com a planta. Mas no dia seguinte, quando o sol ia nascer, por ordem de Deus um bicho atacou a planta, e ela secou. Depois que o sol nasceu, Deus mandou um vento quente vindo do leste. E Jonas quase desmaiou por causa do calor do sol, que queimava a sua cabeça. Então quis morrer e disse: —Para mim é melhor morrer do que viver! – Jonas 4.6-8

O Senhor Deus fez com que uma planta nascesse a fim de que Jonas se sentisse mais confortável. O calor provocado pelo sol era muito grande e Deus, fez um milagre para que Jonas se sentisse melhor. E eu acredito que o Senhor Deus ainda providencia certas coisas simplesmente para nos alegrar. Jonas nem estava pedindo e, talvez por isso Deus lhe providenciou aquela planta que lhe trouxe sombra. E como Jonas se alegrou com ela! Assim como nós nos alegramos também quando Deus nos providencia algo que nos traga mais conforto. Mas....

No outro dia, o mesmo Deus que fez a planta brotar enviou um bicho que a fez secar. Justamente no momento que Jonas estava mais alegre com ela, a planta morreu. Isso ai! O Deus que fez nascer, também fez morrer. Isso nos ensina algumas coisas.

As provisões e bênçãos materiais que Deus nos dá, com certeza nos deixam alegres, mas, até esta alegria tem que ser sob medida. Isso porque tudo que pertence a esta vida, por mais belo que seja, ainda que venha de Deus, está sujeito a qualquer hora murchar e secar. As únicas coisas que vão durar para sempre são aquelas nossos olhos não podem ver e nossas mãos não podem tocar. O mais, a qualquer hora pode ser atacado por “um bicho”. Quando é um bicho enviado pelo diabo dá para expulsar. Mas, este aqui foi enviado por Deus, e ai, não tem “tá amarrado” que resolva. É, precisamos de discernimento para saber de onde vem o “bicho” que está atacando nossa planta, pois nem sempre é o devorador.

E como Jonas reagiu a isso? Ele ficou zangado, muito zangado, assim como nós ficamos diante de perdas sofridas, principalmente a perda de coisas que nos alegravam tanto.

Jonas ficou tão zangado que desejou até mesmo a morte. Este era o Jonas que não se importaria nem um pouco se todos os ninivitas morressem, mas ficou furioso porque uma planta morreu. Este era um sinal de que Jonas estava dando à planta mais valor do que deveria.

Nós também podemos nos tornar tão insensíveis e inverter os valores a ponto de não nos importarmos com uma epidemia dizimando milhares em determinado lugar. Podemos até mesmo achar que eles merecem esta tragédia por estarem colhendo o que plantaram e por não servirem ao Deus verdadeiro. Podemos achar que os “ninivitas” merecem morrer, pois fizeram pacto com o diabo. Isso tudo, ao mesmo tempo em que somos capazes de ficarmos enfurecidos porque nosso celular se quebrou, ou nossa conexão com a internet não quer funcionar, ou nossa televisão queimou. Em nosso coração, essas plantas que nos dão sombra e tornam nossas vidas mais confortáveis são mais importantes do que pessoas. É justamente por isso que às vezes Deus manda um “bicho” para fazer nossas plantas murcharem.

Que Deus tenha misericórdia de nós.

Pr Edmilson

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Quem brinca com fogo se queima

image

Será que você pode carregar fogo no colo sem queimar a roupa? Será que você pode andar em cima de brasas sem queimar os pés? – Provérbios 6.27,28

E Sansão orou ao SENHOR, dizendo: —Ó Senhor, meu Deus, peço que lembres de mim. Por favor, dá-me força só mais esta vez. Deixa que eu, de uma só vez, me vingue dos filisteus, por terem furado os meus olhos – Juízes 16.28

Sansão nasceu por um milagre, pois sua mãe era estéril. Antes dele nascer, o anjo que veio anunciar seu nascimento disse qual seria sua missão: livrar o povo de Israel do domínio dos filisteus. O anjo disse também que Sansão seria um nazireu, alguém separado para Deus, que nunca deveria tocar em corpo morto, nem beber vinho, nem cortar o cabelo (Nm 6.1-8).

Porém, o que vemos na vida de Sansão foi uma constante leviandade para com o propósito de Deus para sua vida. Vemo-lo quebrando cada um de seus votos de nazireu. Ao invés de livrar Israel do jugo filisteu, Sansão se ligou a eles através do casamento. Sansão caminhou sua vida inteira na beira do abismo.

Como todo aquele que brinca com fogo, Sansão um dia se queimou. Ele abriu seu coração com quem não devia (Dalila) e, por causa disso, perdeu o que era a expressão do poder de Deus em sua vida, sua força extraordinária. Perdeu também a visão, pois os filisteus lhe furaram os olhos. Perdeu também a liberdade e foi colocado para trabalhar numa prisão virando um moinho. Tudo indicava que o nazireu caído iria terminar seus dias fraco, cego e fazendo o trabalho monótono de um animal.

Mas, num dia em que os filisteus o levaram ao templo de dagom para se divertirem com ele, Sansão clamou a Deus. Ele havia sido rebelde e leviano, mas conhecia a misericórdia de Deus. “O amor do SENHOR Deus não se acaba, e a sua bondade não tem fim. O Senhor não rejeita ninguém para sempre” (Lamentações 3.22,31).

Ele não pediu para que seus olhos fossem curados, pois sabia que estava colhendo as consequências de seus erros. O que ele pediu foi que Deus lhe desse novamente sua força para que ele fizesse aquilo para o que Deus o chamou, livrar Israel dos filisteus.

Deus atendeu sua oração e lhe devolveu a força. No último momento de vida, Sansão cumpriu sua missão. “E assim Sansão matou mais gente na sua morte do que durante a sua vida” (Jz 16.30).

Sansão nos deixa a lição do quão zelosos devemos ser para com aquilo que Deus nos dá. Ele também nos ensina que, mesmo que tenhamos caído nos laços que nós mesmos procuramos, e por isso tenhamos perdido a força e a visão espiritual, é tempo de clamarmos a Deus que é compassivo e pode fazer com que a glória da última casa seja maior do que a da primeira (Ag 2.9)

Leia também esta reflexão sobre os nazireus: Aqueles que Deus usa para mudar a história

Pr Edmilson

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Passado de vasilha para vasilha

image

O SENHOR Deus disse: —O povo de Moabe sempre viveu em segurança e nunca foi levado como prisioneiro para fora do seu país. Moabe é como o vinho guardado, que nunca foi agitado, nem derramado de uma vasilha para outra. O seu gosto nunca se estragou, e o seu sabor não mudou. E assim está chegando o dia em que vou mandar pessoas para derramarem Moabe como se fosse vinho. Essas pessoas despejarão as vasilhas de Moabe e as quebrarão. Jeremias 48.11,12

Os moabitas viviam despreocupados e tranqüilos. Deus os comparou a um vinho que repousava sobre suas impurezas, pois nunca havia sido agitado e nem passado de vasilha para vasilha. O que Deus quis dizer com isso?

Bem, primeiramente Ele chama a atenção para o fato de que o povo de Moabe nunca havia passado por mudanças significativas, ele nunca havia sido agitado. Isso não era nada bom, pois mudanças são essenciais para nosso desenvolvimento e aperfeiçoamento. Quando um vinho ou qualquer outra bebida não é agitada, suas impurezas ficam no fundo e quase invisíveis. Há certas impurezas de nossas vidas que se escondem e só são evidenciadas nas “agitações”. Deus permite que essas agitações venham para que vejamos que há coisas que precisam ser tratadas. Quando as impurezas de nossas vidas aparecem, precisamos deixar que Deus faça conosco o que se fazia com o vinho a fim de torná-lo mais puro: passá-lo de uma vasilha para outra.

Cada vez que um vinho era passado de uma vasilha para outra, parte de suas impurezas ficavam para trás. Deixava-se que ele descansasse mais um pouco e novamente ele era passado para outra vasilha. Após algumas vasilhas, o vinho estava mais puro e mais valioso.

As vasilhas são as mudanças em nossas vidas. Passamos por várias etapas e, em cada uma delas, Deus quer tratar com certos aspectos de nosso caráter para transformá-lo. Cada etapa de nossas vidas é devidamente programada por Deus a fim de nos purificar e nos tornar cada vez mais valiosos. É claro que mudança é algo que meche conosco, que nos incomoda e muitas vezes lutamos contra elas. Mas, vamos nos lembrar que Moabe não teve seu sabor alterado por não haver passado de uma vasilha para outra. E há pessoas que nunca mudam o sabor por fugirem de qualquer coisa que tente lhes tirar de sua posição confortável. Mas, está escrito que, por não haver sido tratado, dias viriam em que Moabe seria jogado no chão e despejado. O vinho que não havia sido tratado seria jogado fora e ficaria imprestável. É justamente isso que acontece com aqueles que não se rendem aos tratamentos de Deus. O vinho acaba se estragando e se tornando inútil.

Deixemos então que Deus venha nos colocar nas vasilhas que Ele quiser. Algumas vasilhas nas quais Ele nos coloca são maiores que as anteriores, outras são menores. Algumas são mais bonitas, outras mais feias. Mas, todas elas vêm com um propósito específico e de cada uma delas saímos mais saborosos e cheirosos. Deus sabe o que faz!

Pr Edmilson

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Quando as pedras não se mexem

image

Esta estória é contada de diversas formas e com algumas variantes, mas ela é mais ou menos assim:

Um dia, Deus levou um homem diante de uma enorme pedra e ordenou-lhe que a empurrasse. Obedecendo à ordem de Deus, o homem começou a empurrar a pedra. Mas, por mais que se esforçasse, a pedra não se movia nenhum milímetro. Mas, como foi Deus quem mandou que empurrasse a pedra, o homem continuou tentando, pois, afinal de contas, Deus é coerente e não iria mandá-lo fazer algo que não trouxesse resultados. O tempo passou, o homem continuou tentando, mas, nada da pedra se mexer.

Cansado de não ver nada acontecer, o homem dirigiu-se a Deus e apresentou-lhe suas queixas: “como foi que o Senhor deixou que eu perdesse tanto tempo empurrando uma pedra que se recusa a mexer-se?”. E Deus lhe respondeu:

- Mas, eu não lhe mandei mover a pedra. Eu ordenei que você empurrasse a pedra, o que você fez muito bem.

- Como assim? – disse o homem perplexo – estive este tempo todo empurrando uma pedra que não iria se mexer mesmo? Pra que isso?

- O meu propósito não era com a pedra, e sim, com você.

- Não entendi.

- Filho, olhe para você. Veja como você se tornou forte e robusto desde que começou a empurrar a pedra. Repare nos músculos que cresceram em você.

Reparando em si mesmo, o homem viu que, de fato, ele havia se tornado mais forte e entendeu o que Deus havia feito. Depois disso, com um sopro, Deus fez com que a pedra se mexesse.

Às vezes oramos e lutamos para que situações mudem e elas não mudam. Oramos e fazemos de tudo para que certas pessoas mudem, e nada. Essas coisas nos deixam frustrados e muitas vezes nos impedem de ver o que Deus mais quer fazer que é nos transformar e nos tornar mais fortes. É somente quando entendemos o propósito de Deus e nos deixamos lapidar que Ele vem mover as pedras do nosso caminho. Enquanto isso não acontece, elas estarão lá, imóveis.

Pr Edmilson

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O vento e os degraus

image image

Faça calções de linho para cobrir a nudez deles, calções que vão da cintura até as coxas. Exodo 28.42

Os calções de linho eram peças importantes no vestuário do sacerdote. Eles deveriam estar abaixo da túnica e diretamente sobre a pele. Iam da cintura até as coxas. Sua principal função era não deixar que a nudez do sacerdote aparecesse. Duas coisas poderiam fazer com que isso acontecesse: os ventos e os degraus que deveria se subir. Esses calções nos trazem algumas lições preciosas...

Por se tratarem de uma peça que ficava oculta aos olhos das pessoas, só o sacerdote e Deus a viam, creio que estes calções nos falam das coisas particulares entre nós e Deus. Jesus falou de coisas que deveriam ser feitas na particularidade de nossos quartos, com a porta fechada (Mt 6.6). Oração é algo que diz respeito a nós e a Deus somente. Os fariseus fizeram dela uma forma de ostentação. Mas Jesus disse que ela é algo íntimo. Seus frutos serão públicos, assim como os frutos de uma árvore, mas estes frutos só são possíveis devido à raiz que ninguém pode ver.

A grande importância desta vida de particularidade com Deus se vê nos momentos em que os ventos sopram, e eles sopram para todos. As ventanias das adversidades fazem com que as túnicas das exterioridades se levantem e mostrem o que existe abaixo da superfície. É na hora da adversidade que as cascas da religiosidade caem e fica só o que é autêntico. O que mantêm uma árvore de pé durante as tempestades, não são as folhas e sim as raízes. É a nossa vida de particularidade com Deus na oração que nos manterá de pé na tempestade. É uma vida de intimidade com Deus que impedirá que passemos vergonha na ventania.

Outro momento delicado era quando se subia degraus, pois, quem estivesse sem os calções passaria vergonha. Subir degraus fala de sermos levados a uma nova etapa da vida, sermos elevados a algo mais. A falta de preparo tem feito com que muitos passem vergonha no momento em que são elevados. Quando estavam no térreo, parecia que estava tudo em ordem, mas, foi colocá-los um degrau acima e viu-se que era só fachada, pois, faltava algo embaixo.

Cultivemos, pois, nossa vida de intimidade com Deus e vamos nos cingir com os calções da oração. Duas coisas nos esperam: ventanias e degraus. Feliz é aquele que se prepara para eles.

“Feliz aquele que vigia e toma conta da sua roupa, a fim de não andar nu e não ficar envergonhado em público!” Apocalipse 16.15

Pr Edmilson

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Reaja

 image

“Dispõe-te” Josué 1.2

Moisés havia sido seu mentor e líder por cerca de quarenta anos. Juntos, eles haviam enfrentado rebeliões e ingratidões do povo. Juntos, haviam entrado na tenda para buscar a face de Deus. Moisés não havia sido apenas um guia, ele era seu amigo. Mas... ele havia morrido. Sim, seu amigo estava morto.

Para Josué, aquilo foi um golpe duro e não estava sendo fácil superar aquele momento. Ele estava prostrado. Assim tem sido com muitos. Muitos ficam prostrados pela dor da perda ou por outras tragédias da vida. Muitos são os que morrem juntamente com os mortos e se perdem com as perdas.

Deus disse a Josué: “Dispõe-te”. Deus estava dizendo a ele, e a todo aquele que se encontra prostrado em qualquer lugar e por qualquer situação: “reaja”. Reaja, pois, se não o fizer, a tristeza crescerá ainda mais e o afundará num abismo que tornará a vida sem luz e sem graça. Reaja, pois, se não o fizer, sua vontade será a de se sepultar em um quarto e não ver a cara de ninguém. Reaja, pois, há uma terra prometida a se conquistar.

Moisés havia morrido e Josué se sentia abandonado, por isso Deus lhe disse: “Eu estarei com você”. Jesus sabe o que é ser abandonado, sem nenhuma mão humana para lhe apoiar. Na noite em que iria ser preso e iria enfrentar todo o sofrimento da cruz, Ele chamou seus discípulos e amigos a fim de ajuda-lo em oração, mas... eles dormiram. Um deles o traiu, o outro o negou três vezes e os outros o abandonaram. É, Ele sabe o que é não ter nenhum apoio humano. Ele havia dito: “Pois chegou a hora de vocês todos serem espalhados, cada um para a sua casa; e assim vão me deixar sozinho. Mas eu não estou só, pois o Pai está comigo” (Jo16.32). Eis a razão da força com que ele enfrentou seus tormentos de cabeça erguida: “O Pai está comigo”. Quando o apoio de homens nos faltarem temos que nos lembrar que temos Alguém que sempre estará conosco.

“Seja forte e corajoso”, Deus disse a Josué. Gente frágil demais não consegue se reerguer dos golpes da vida. Gente frágil costuma se encolher. Deus não pede que tenhamos uma força que não temos. Ele ordena que acreditemos nEle a fim de que Ele seja nossa força.

Deus dá a Josué o manual para uma vida cheia de esperança: “Medita neste livro dia e noite e obedeça o que nele está escrito”. Feliz aquele que vê o valor desta fonte de inspiração que é a palavra de Deus. Ela é o pão que nos fortalece. Ela é a espada do Espírito que nos dá a vitória sobre os gigantes. “Examinai as escrituras”, disse Jesus.

Sejam quais forem as perdas que sofrermos temos que nos lembrar que a vida continua e há muito o que se fazer. Portanto vamos reagir e viver.

Pr Edmilson

quarta-feira, 28 de julho de 2010

O Propósito de Deus Ou o Meu?

image

"Logo a seguir, compeliu Jesus os seus discípulos a embarcar e passar adiante para o outro lado..." - Marcos.6.45-52.

Temos tendência para pensar que, se Jesus Cristo nos der uma ordem e lhe obedecermos, ele nos levará a um grande sucesso. Nunca devemos colocar nossos sonhos de sucesso como o propósito de Deus para nós; seu propósito talvez seja exactamente o oposto do nosso. Imaginamos que Deus está a levar-nos a um determinado fim, para um alvo desejado; mas ele não está. Chegar ou não a um alvo específico é mero incidente. Aquilo que chamamos de processo, Deus chama de alvo.

Qual é meu sonho no tocante ao propósito de Deus? O propósito dele é que eu dependa dele e do seu poder. Se eu conseguir manter-me calmo e despreocupado no meio dum tumulto, este é o propósito de Deus. Deus não está a operar visando uma determinada conclusão a meu favor; o alvo dele é o que considero o processo — que eu o veja andando sobre as ondas, sem nenhuma praia à vista, nenhum êxito, nenhum alvo meu; apenas a certeza absoluta de que está tudo bem porque eu o vejo andando sobre o mar. É o processo, não o fim, que glorifica a Deus.

O treino de Deus é para já, não para daqui a pouco. Seu propósito é para este momento, não para algo no futuro. Não temos nada a ver com o "depois" da obediência; se nos preocuparmos com o "depois" estaremos errados. O que os homens chamam de treino e preparação, Deus chama só de alvo.

O alvo de Deus é capacitar-me para a compreensão de que ele pode andar sobre o caos de minha vida hoje ainda. Se temos um outro alvo em vista, não prestamos atenção necessária e quanto baste ao que acontece no tempo presente. Mas, caso reconheçamos que o alvo é a obediência, então cada momen­to, seja ele como for, torna-se precioso e importantíssimo.

Oswald Chambers

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Não beberei, porventura, o cálice que o Pai me deu?

image

João 18.11

Isto era uma coisa mais difícil de se dizer ou fazer do que acalmar as ondas do mar ou ressuscitar mortos. Os profetas e apóstolos puderam operar milagres extraordinários, mas nem sem­pre podiam fazer a vontade de Deus e sujeitar-se a ela.

Fazer a vontade de Deus e sujeitar-se a ela ainda é a mais elevada forma de fé, a mais sublime conquista cristã. Ver destruídas para sempre, as brilhantes aspirações de uma vida jovem; suportar um fardo diário sempre contrário ao temperamento, sem probabilidade de alívio; ser oprimido pela pobreza, quando se deseja apenas o bastante para o bem-estar e conforto dos entes queridos; ser agrilhoado por uma incapacidade física incurável; sofrer a perda de todos os entes queridos, até ficar só para enfrentar os choques da vida; e, numa tal escola de disciplina, ser capaz de dizer: "Não beberei, porventura, o cálice que o Pai me deu?" — isto é fé e estatura espiritual, em seu mais elevado ponto. Uma grande fé se mostra não tanto pela capacidade de fazer, mas de sofrer.

Dr. Charles Parkhurst

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Os pesos se tornaram em asas

image

Sobem com asas como águias - Isaias 40.31

Há uma lenda que conta como foi que os pássaros criaram asas. Diz que eles haviam sido criados sem asas. Depois, Deus fez as asas e as colocou diante deles, dizendo: "Venham, peguem esses pesos e os carreguem."

Os pássaros possuíam linda plumagem e doce canto; gorjeavam belamente, e suas penas cintilavam ao sol; mas não sabiam o que era cortar os ares. A princípio, hesitaram ante a ordem de apanharem aqueles pesos e os carregarem, mas logo obedeceram; pegaram as asas com o bico, e puseram-nas nos ombros, para melhor carregá-las.

Durante algum tempo, o fardo pareceu-lhes muito pesado e difícil, mas, de repente, quando iam carregando os pesos, suas pontas dobradas sobre o coração, as asas grudaram-se-lhes nas costas, e logo descobriram que podiam utilizá-las, e foram levanta­dos por elas nos ares — os pesos se tornaram em asas.

Isto é uma parábola. Nós somos os pássaros sem asas, e nossos deveres e tarefas são os pequenos cotos de asa que Deus fez para nos erguer e levar em direção às alturas. Nós olhamos para os nossos fardos e cargas pesadas e nos retraímos; mas quando as tomamos e colocamos sobre o coração, elas se nos tornam em asas, e com elas nos elevamos e cortamos as alturas em direção a Deus.

Todo e qualquer fardo que nos é dado por Deus, se o tomarmos de bom ânimo e o levarmos sobre o coração com amor, virá a tornar-se uma bênção para nós. A intenção de Deus é que nossas tarefas nos sejam como auxiliares; se nos recusarmos a abaixar os ombros para recebê-las, estaremos deixando passar uma oportuni­dade de nos desenvolvermos.

J. R. Miller

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Caminhando debaixo do arco-íris - III

image

No relato do ministério de Jesus sobre a Terra, só vejo uma vez em que se aproximou de um estado semelhante ao “esgotamento”. No Jardim do Getsêmane, Jesus caiu prostrado em terra e orou. O suor rolava com gotas de sangue. Suas orações tomaram tom não característico de implorações. Diz Hebreus 5.7 que ele “tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia livrar da morte”, sabia, é claro, que não seria liberto de morrer. Enquanto essa consciência crescia em si, Jesus sentiu angústia. Não tinha uma comunidade que o apoiasse – estavam todos dormindo.

Contudo, uma mudança dramática ocorre entre a cena do Getsêmane e tudo o que se segue. Os relatos dos evangelhos sobre o Getsêmane mostram uma pessoa angustiada e em grande sofrimento. Depois do Getsêmane, mostram uma pessoa que, mais que Pilatos, mais que Herodes, está no pleno controle da situação. Leia os relatos dos julgamentos. Jesus não é vítima: está sereno, o mestre do seu destino.

O que aconteceu no jardim que fizesse a diferença? Temos poucos detalhes sobre o conteúdo das orações de Jesus, pois os que podiam ser testemunhas estavam dormindo. Talvez ele recordasse todo seu ministério sobre a Terra. O peso de tudo que ficou sem fazer poderia talvez pesar sobre ele: os discípulos eram instáveis e irresponsáveis, o movimento corria sérios riscos, o mundo ainda era lar de maldade e muito sofrimento. O próprio Jesus parecia estar nos limites do que um ser humano pudesse suportar. Ele não tinha maior prazer com a idéia de dor e morte do que eu ou você.

Mas de alguma forma, no Getsêmane, Jesus trabalhou a crise, transferindo o fardo sobre o Pai. Era a vontade de Deus que ele viera cumprir, afinal, e sua oração se resolveu nas palavras “Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres” (Mateus 26.39). Não muitas horas depois ele podia clamar a profunda verdade: “Está consumado” (João 19.30).

Oro perdido esse senso de desligamento, de confiança. Oro para que eu veja o meu trabalho, minha vida, como uma oferta a Deus a cada dia. Aprendi que Deus é um Deus de misericórdia, de compaixão, de graça – um chefe confiável, certamente. Deus, e Deus somente, tem as qualificações para ajudar-me a enfrentar o caminho escorregadio entre amor pelo próximo e amor por mim; um caminho ladeado pela hipersensibilidade e pelo calo.

Philip Yancey

 

________________________________

Fonte: Igreja, por que se importar?



 
^

Powered by Bloggerblogger addicted por UsuárioCompulsivo
original Washed Denim por Darren Delaye
Creative Commons License

BlogBlogs.Com.Br